Seleção dos Sonhos do Uruguai

 

Por Guilherme Diniz

 

Pioneira, guerreira, competitiva e vencedora. Se existe uma seleção com fibra no planeta, ela se chama Seleção Uruguaia de futebol. E, com mais de um século de história, a lendária Celeste Olímpica prova na quantidade de títulos conquistados o motivo de ser uma das mais emblemáticas equipes de todos os tempos, principalmente pelo tamanho do Uruguai, tão pequenino e mais vencedor do que dezenas de outros países gigantescos. Com duas Copas do Mundo, dois Ouros Olímpicos e maior vencedor de Copas Américas com 15 títulos, o Uruguai reuniu ao longo das décadas alguns dos maiores jogadores que o futebol já teve: defensores plenos, meio-campistas vigorosos, meias criativos e prolíficos atacantes. Por causa disso, escolher apenas 11 jogadores é uma tarefa bastante difícil, visto que muitos craques acabam de fora. Mas este Uruguai dos Sonhos ficou de respeito! Vamos a ele!

 

Uruguai dos Sonhos – Escolha dos Leitores e Leitoras

 

Esquema tático: 4-3-3

 

Para explorar mais o talento de seus meias e atacantes, este Uruguai dos Sonhos foi escalado por vocês no esquema 4-3-3, superando o 4-4-2 na preferência dos leitores e leitoras. Com um meia que podia ajudar na marcação e também defensores bastante seguros, essa seleção poderia se dar ao luxo de jogar apenas com um volante que dificilmente levaria gols. Também, com o volante escolhido por vocês e a dupla de zaga lá atrás, os atacantes sairiam correndo para os vestiários! :p

 

 

O time: Ladislao Mazurkiewicz; Pablo Forlán, Hugo De León, Darío Pereyra e Víctor Rodríguez Andrade; Obdulio Varela, Pedro Rocha e Enzo Francescoli; Alcides Ghiggia, Luis Suárez e Diego Forlán. Técnico: Óscar Tabárez.

 

Os Escolhidos

 

Goleiro: Ladislao Mazurkiewicz

Durante uma década ele foi tido como o maior goleiro das Américas. E um dos melhores do mundo. Em 1971, quando o maior de todos os goleiros, Lev Yashin, se aposentou, ele disse que seu sucessor era um goleiro uruguaio que também vestia o negro, para ficar “invisível” aos olhos dos atacantes. Com defesas formidáveis, enorme senso de colocação, segurança plena debaixo da meta e baixíssimas médias de gols sofridos, Ladislao Mazurkiewicz foi um goleiro para a história. Um patrimônio de seu país e tido até hoje como o melhor já produzido pelas bandas celestes. Maior até mesmo que seus companheiros campeões do mundo em 1930 e 1950. Absoluto na meta uruguaia em três Copas do Mundo (1966, 1970 e 1974), Mazurka fez seu debute em Mundiais com apenas 21 anos em Wembley, e, diante da Rainha, não deixou a Inglaterra furar sua meta na estreia do Mundial de 1966. Pelo Peñarol, o camisa 1 fez história com títulos inesquecíveis, entre eles a épica Libertadores de 1966, e, tempo depois, o Mundial Interclubes, levantado sobre o poderoso Real Madrid em pleno Santiago Bernabéu. A propósito: os merengues não fizeram nenhum golzinho no camisa 1 em ambos os jogos da final. Mazurkiewicz ficou famoso, também, pelos lances que protagonizou com Pelé na Copa de 1970, no chute de bate-pronto do Rei e no corta luz. Mas o engraçado é que Pelé, também, não marcou contra ele. Aliás, marcar um gol naquele pequeno gigante era tarefa para poucos. Mazurka disputou 36 jogos pelo Uruguai. Leia mais sobre ele clicando aqui!

Com mais da metade dos votos, Mazurka foi absoluto na votação com 54,6% dos votos, deixando Rodolfo Rodríguez, lenda do Nacional campeão da América e do mundo em 1980 e ídolo do Santos, na segunda colocação. Roque Máspoli, goleiro do título mundial de 1950 e do Peñarol, ficou na terceira posição, seguido de Enrique Ballestrero, titular da Celeste campeã do mundo em 1930, e Fernando Muslera, titular nas Copas de 2010, 2014 e 2018.

 

Lateral-Direito: Pablo Forlán

Exímio lateral-direito e também zagueiro, Forlán “pai” fez história no Peñarol ao conquistar 7 troféus pelo clube, entre eles a Libertadores e o Mundial de 1966. Símbolo da raça uruguaia, era não só eficiente na marcação, mas também nos cruzamentos e disputas de bola, além de ter fôlego para ir ao ataque e voltar a tempo para proteger a zaga. Disputou 17 jogos pela seleção uruguaia e esteve nas Copas do Mundo de 1966 e 1974. Ídolo do São Paulo, Forlán disputou 243 jogos pelo tricolor, marcou oito gols e venceu três Campeonatos Paulistas.

Com 11 votos a mais que José Leandro Andrade, Pablo Forlán venceu a disputa pela lateral-direita talvez por ser mais conhecido do público brasileiro. Seu principal concorrente, a “Maravilha Negra”, foi um dos mais fabulosos craques dos anos 1920 e 1930, venceu dois Ouros Olímpicos e também a Copa do Mundo de 1930 com a Celeste e podia atuar não só na lateral, mas também no meio de campo. Quem também apareceu entre os mais votados foi Atilio Ancheta, polivalente do setor defensivo da Celeste durante muito tempo, presente no Nacional campeão da América em 1971 e que jogou no Grêmio no final dos anos 1970.

 

Lateral-Esquerdo: Víctor Rodríguez Andrade

Dono de um vigor físico privilegiado e capaz de atuar em ambas as laterais, Rodríguez Andrade foi um dos maiores jogadores do Uruguai nos anos 1940 e 1950 e peça-chave na equipe campeã da Copa do Mundo de 1950. Sobrinho de José Leandro Andrade, também campeão do mundo, mas lá em 1930, Rodríguez Andrade se destacava pelo poder de marcação, os passes precisos e o apoio ao ataque. Na decisão da Copa de 1950 contra o Brasil, teve a missão de marcar Zizinho, um dos principais nomes brasileiros, e o uruguaio cumpriu sua tarefa com precisão absurda. Foram 42 jogos pela Celeste entre 1947 e 1957 na carreira e duas Copas do Mundo disputadas, em 1950 e 1954, esta atuando como lateral-direito, em especial no épico jogo da semifinal contra a Hungria.

Rodríguez Andrade acumulou mais de 40% dos votos e venceu com o dobro de diferença seu principal concorrente, Ricardo Pavoni, lenda do Independiente tetracampeão da Copa Libertadores nos anos 1970. Na terceira posição apareceu Martín Cáceres, figura constante nas equipes da Celeste nos anos 2010, seguido de Ernesto Mascheroni, campeão do mundo em 1930.

 

Zagueiro: Hugo De León

 

Um símbolo de raça e técnica, Hugo De León foi um dos maiores zagueiros do mundo no final dos anos 1970 e início dos anos 1980. Revelado pelo Nacional (URU), ganhou a Libertadores e o Mundial de 1980 com o clube uruguaio e chamou a atenção dos dirigentes gremistas, que o contrataram em 1981. Em seu primeiro ano, assumiu a liderança do time e conquistou o Brasileiro. Em 1983, veio a coroação com as conquistas da América e do Mundo, muito graças ao seu futebol sem firulas ou riscos, sempre com eficiência e raça pura. É um dos maiores ídolos da história do Grêmio. Teve sucesso novamente no Nacional, em 1988, levantando pela terceira vez na carreira uma Libertadores e um Mundial, os últimos do tricolor do Uruguai. Pela seleção, De León disputou 48 jogos entre 1979 e 1990, venceu o Mundialito de 1980 e esteve na Copa do Mundo de 1990.

 

Zagueiro: Darío Pereyra

 

Garra, técnica, estilo, preparo físico invejável e coração no bico da chuteira, tudo no mais puro espírito uruguaio. Assim era Darío Pereyra, um dos maiores zagueiros da história de seu país e do São Paulo, onde virou ídolo e jogou por mais de 10 anos. Conquistou quatro Campeonatos Paulistas e dois Campeonatos Brasileiros (em especial o de 1986, fazendo dupla de zaga com Oscar) jogando sempre com amor à camisa e muita eficiência. De quebra, marcava muitos gols para um zagueiro (foram 37 só pelo tricolor). Um ídolo eterno do clube do Morumbi. Atuou também pelo Nacional-URU, onde começou a carreira, Flamengo e Palmeiras. Estreou pela seleção aos 18 anos e aos 19 já era capitão. Foram 34 jogos e 14 gols pela Celeste, além de uma participação na Copa do Mundo de 1986. Podia atuar ainda como volante e até meia-armador graças à técnica para sair jogando.

Assim como na eleição do lateral-direito, a escolha da dupla de zaga desse Uruguai dos Sonhos favoreceu os atletas que atuaram por mais tempo em território brasileiro, além, claro, de ambos serem craques incontestáveis. De León foi o campeão com 50,6% dos votos, seguido de Darío Pereyra, com 44,9%. O terceiro lugar ficou com Diego Godín, que desde a Copa de 2010 brilha pela seleção e também por clubes, em especial quando atuou pelo Atlético de Madrid de Simeone. O quarto lugar foi de José Nasazzi, o capitão da Celeste campeã do mundo em 1930 e lenda absoluta de seu país. Quem também foi muito bem votado foi Diego Lugano, capitão do Uruguai na brilhante campanha na Copa de 2010 e no título da Copa América de 2011, além de ser ídolo do São Paulo campeão da América e do mundo em 2005.

 

Volante: Obdulio Varela

A pele mulata lhe deu o apelido de Negro. A ascendência sobre os companheiros, seja de Peñarol, seja de seleção uruguaia, o fizeram Jefe. E o futebol praticado em campo, com uma garra exuberante, força, vontade e amor à camisa, o transformaram num mito. O meio-campista uruguaio Obdulio Jacinto Nunes Varela fez história como um dos maiores craques do futebol mundial nas décadas de 1940 e 1950, sendo o principal responsável pela façanha Celeste na Copa do Mundo de 1950, quando encheu de brio seus companheiros e foi o líder do Maracanazo, como ficou conhecida a vitória de virada por 2 a 1 do Uruguai sobre o Brasil, em pleno Maracanã, na final daquele mundial. Além de ser mítico com a camisa da seleção, Varela foi referência e ídolo com o manto aurinegro do Peñarol, levantando seis campeonatos nacionais. Forte como um touro, técnico e que ainda aparecia no ataque para marcar gols, Varela era um volante completo, único, e que jamais se entregou em campo. O craque disputou as Copas de 1950 e 1954 e fez uma falta danada na semifinal que o Uruguai acabou perdendo apenas na prorrogação para a mágica Hungria. Foram 52 jogos e oito gols com a camisa celeste. A definição plena de Obdulio Varela foi descrita certa vez por Nelson Rodrigues: “Varela não atava as chuteiras com cordões, mas com as veias”. Leia mais sobre ele clicando aqui!

 

Essa foi barbada. Com mais de 86% dos votos, Obdulio Varela não deu qualquer chance aos concorrentes pela única vaga de volante neste Uruguai dos Sonhos. O segundo lugar foi de José Leandro Andrade, com pouco mais de 21%, que também exercia a função com maestria, mas sem a liderança impressionante do capitão de 1950. O terceiro lugar foi de Rubén Paz, talentoso meio-campista dos anos 1980 e 1990 que jogou no Peñarol e por vários anos no Internacional, pelo qual venceu os estaduais de 1982, 1983 e 1984.

 

Meia: Enzo Francescoli

Considerado por muitos como um dos maiores jogadores uruguaios de todos os tempos, Enzo Francescoli encantou o planeta por mais de uma década com uma habilidade extrema, visão de jogo incrível e faro goleador – deixando vários atacantes com inveja. Em tempos de entressafra, Francescoli foi a estrela solitária da seleção uruguaia durante toda a década de 1980 e até meados da década de 1990, disputando 73 jogos e marcando 17 gols, além de vencer três edições da Copa América. Francescoli é um dos poucos jogadores do país a não ter jogado nos maiores clubes do Uruguai (Peñarol e Nacional) e é mais adorado na Argentina (país onde vive atualmente) do que em sua própria casa. Motivo? Francescoli simplesmente arrebentou no River Plate e foi o maior ídolo do clube por muitos anos. O craque jogou muito e conquistou inúmeros títulos, incluindo cinco Campeonatos Argentinos e uma Copa Libertadores, além de vários títulos individuais. Sua passagem pela França lhe rendeu a idolatria de um jovem jogador que brilharia anos mais tarde: Zinedine Zidane, que batizou o próprio filho com o nome de Enzo, em homenagem ao uruguaio. Leia mais sobre ele clicando aqui!

 

Meia: Pedro Rocha

Num misto de raça uruguaia com a mais nobre elegância do futebol arte, Pedro Rocha encantou os amantes do esporte com exibições formidáveis e uma categoria fascinante que o levou ao status de ídolo nos gigantes Peñarol e São Paulo e também na seleção uruguaia. Multicampeão no clube aurinegro, pelo qual venceu três Copas Libertadores e dois Mundiais de Clubes, “El Verdugo” (“o carrasco”) é o único jogador da história do Uruguai a disputar quatro Copas do Mundo consecutivas (1962, 1966, 1970 e 1974). Tranquilo, sempre longe dos holofotes e preocupado apenas em jogar o simples, Pedro Rocha foi um gigante em campo e um dos grandes meias do futebol nas décadas de 1960 e 1970. Foram 52 partidas e 17 gols com a camisa da seleção. Rocha podia atuar como meia, ponta-de-lança e também mais aberto, criando espaços para os companheiros, dando passes e marcando gols. Leia mais sobre ele clicando aqui!

 

Com Varela protegendo o meio de campo, Francescoli e Pedro Rocha poderiam construir grandes jogadas de ataque nesta Celeste dos sonhos. A dupla venceu com 71,8% e 63,8%, respectivamente, e superaram Juan Alberto Schiaffino, que teve 48,3% dos votos e foi um dos destaques do Uruguai campeão do mundo em 1950.

 

Atacante: Luis Suárez

Habilidoso, rápido, oportunista e talentoso, Luis Suárez já é uma das maiores figuras da história do futebol uruguaio neste século e começou a construir sua fama na Copa do Mundo de 2010, quando não só fez gols, mas também evitou um na famosa “defesa” contra Gana nas quartas de final do Mundial. Quatro anos depois, o astro ressurgiu após uma grave lesão e marcou os dois gols da vitória sobre a Inglaterra, na fase de grupos, que deu sobrevida à Celeste para o duelo decisivo contra a Itália. Mas, quando tudo era para sair bem, o atacante perdeu a cabeça e aprontou mais uma das suas ao morder um italiano e ser expulso do Mundial. Ele fez falta, o Uruguai sentiu e voltou para casa mais cedo. Mesmo assim, segue ídolo no país. Em 2018, marcou dois gols e deu passe para outro durante a campanha uruguaia que terminou nas quartas de final, após revés para a campeã França. Ele brilhou também no Liverpool e no Barcelona, compondo o trio MSN campeão de quase tudo entre 2014 e 2017. É o maior artilheiro da Celeste com 59 gols em 113 jogos.

 

Atacante: Diego Forlán

Vivendo uma fase esplendorosa, Diego Forlán (filho de Pablo Forlán) foi a alma e o coração do ataque da Celeste em 2010 e 2011, os anos de puro brilho da seleção que marcou o renascimento do Uruguai no futebol mundial. Na Copa do Mundo da África do Sul, o atacante marcou golaços de todos os jeitos, chamou o jogo para si e incorporou a mística uruguaia como poucos jogadores da história haviam feito. Tanta qualidade contagiou até a FIFA, que o presenteou com o prêmio de Melhor Jogador da Copa. Em 2011, o craque seguiu com a boa fase e anotou dois gols na vitória por 3 a 0 que deu o título da Copa América ao Uruguai, taça merecidíssima e que Diego Forlán não poderia deixar de vencer. Ídolo incontestável no país e presente em três Copas (2002, 2010 e 2014), Diego Forlán disputou 112 jogos e marcou 36 gols pela seleção – é o 3º maior artilheiro. Brilhou, também, no Atlético de Madrid do começo dos anos 2010.

 

Atacante: Alcides Ghiggia

Carrasco brasileiro na Copa de 1950, o ponta Ghiggia jogou demais naquela Copa do Mundo. Dos cinco gols que marcou com a camisa celeste na carreira, quatro foram somente no Mundial do Brasil. Rápido, oportunista e talentoso, era uma das principais armas de ataque do Uruguai na competição por abrir espaços nas defesas e dar passes precisos – marcar gols nunca foi seu forte, exceto naquela Copa… Sempre teve uma avançada inteligência tática e ajudava na marcação quando voltava de suas investidas ao ataque. Assim como vários de seus compatriotas, teve bastante sucesso no futebol italiano e por lá ficou de 1953 até 1962. Não disputou a Copa de 1954 pelo fato de a Roma, seu clube na época, não liberá-lo. Em 1958, naturalizado italiano, teve a chance de disputar a Copa pela Itália, mas a Azzurra não se classificou. Ghiggia disputou 12 jogos e marcou cinco gols entre 1950 e 1952 pelo Uruguai.

O trio de ataque desse Uruguai dos Sonhos possui o entrosamento da dupla Suárez e Diego Forlán com a velocidade e oportunismo de Ghiggia. Eles venceram a disputa com uma boa margem de votos muito por causa do sucesso do Uruguai nos anos 2010 e a fama construída por Ghiggia em solo brasileiro. Suárez foi o campeão com quase 80% dos votos, seguido por Diego Forlán, com 59,4%, e Ghiggia, com 45,7%. A quarta colocação ficou com Edinson Cavani, outro craque do Uruguai em três Copas do Mundo (2010, 2014 e 2018) e 2º maior artilheiro da seleção com 50 gols em 116 jogos, que somou 32% da preferência dos leitores e leitoras.

 

Técnico: Óscar Tabárez

 

“El Maestro” foi, sem dúvida, o principal responsável por remontar o Uruguai e devolvê-lo ao topo do futebol mundial com campanhas maravilhosas e irrepreensíveis entre 2010 e 2011. Inteligente e inspirador, comandou com brilho seus jogadores e criou um grupo coeso e conhecido por todos os torcedores, que souberam depois de muitos anos escalar seu time do goleiro ao último atacante sem pestanejar. O treinador cumpriu seu papel por renascer a Celeste e trazer de volta ao esporte uma das mais vitoriosas e místicas seleções que existem, tudo com muito planejamento e um árduo trabalho que começou lá em março de 2006, quando ele assumiu a Celeste e apresentou um programa chamado “O Proceso”, que consistia em formar jogadores e times que pudessem representar de maneira plena o Uruguai nos mais diversos torneios, do sub-17 até a equipe profissional. E é claro que deu mais do que certo! Somando a primeira passagem do técnico pela seleção, entre 1988 e 1990, e os jogos nas Olimpíadas de 2012, Tabárez possui 215 partidas no comando da Celeste, com 108 vitórias, 52 empates e 55 derrotas, aproveitamento de 50%, além de comandar o Uruguai em quatro Copas do Mundo (1990, 2010, 2014 e 2018). Ele é atualmente o 5º técnico com mais jogos no comando de uma seleção em todos os tempos. E, mesmo sem uma Copa no currículo, é sem dúvida um dos mais importantes e notáveis técnicos da história do Uruguai.

Recolocar o Uruguai no topo da maneira que colocou fez Tabárez vencer de maneira esmagadora a eleição: quase 84% dos votos! O segundo colocado, Alberto Suppici, treinador da Celeste na conquista da Copa de 1930, teve apenas 7,1% dos votos. Juan López, comandante da Celeste nas Copas de 1950 e 1954, terminou na terceira posição com 4,7%.

 

Reservas imediatos

 

Goleiro: Rodolfo Rodríguez

Lateral-Direito: José Leandro Andrade

Lateral-Esquerdo: Ricardo Pavoni

Zagueiros: Diego Godín e José Nasazzi

Volantes: Rubén Paz e Víctor Espárrago

Meias: Juan Alberto Schiaffino e Álvaro Recoba

Atacantes: Edinson Cavani, Héctor Scaroni e Fernando Morena

Auxiliar técnico: Alberto Suppici

 

O Imortais também escalou a sua seleção! Veja abaixo:

 

Uruguai dos Sonhos – Escolha do Imortais

Esquema tático: 4-1-3-2

O time: Ladislao Mazurkiewicz; José Leandro Andrade, José Nasazzi, José Santamaría e Víctor Rodríguez Andrade; Obdulio Varela; Juan Alberto Schiaffino, Pedro Rocha e Enzo Francescoli; Héctor Scarone e Luis Suárez. Técnico: Óscar Tabárez.

 

Como seria bom se pudéssemos escalar 12 jogadores ao invés de 11… Motivo: tivemos que deixar de fora Darío Pereyra para dar lugar a Luis Suárez, o maior artilheiro da história da Celeste, para formar um ataque devastador ao lado de Héctor Scarone e com o suporte de Juan Schiaffino, Pedro Rocha e Enzo Francescoli. Para dar liberdade suficiente a esse quinteto, a zaga desta Celeste seria um verdadeiro paredão com Obdulio Varela como volante, José Leandro Andrade e seu sobrinho, Rodríguez Andrade, nas laterais, e José Santamaría e José Nasazzi no miolo defensivo. Mazurka poderia até ler um livro no gol… O técnico desse timaço também seria Óscar Tabárez.

No banco, as opções seriam: Rodolfo Rodríguez no gol, Darío Pereyra e Diego Lugano para a zaga, Atilio Ancheta e Ricardo Pavoni para as laterais, Víctor Espárrago e Néstor Gonçalves como volantes, Julio Pérez e Luis Cubilla como meias e Fernando Morena, Diego Forlán e Ángel Romano para o ataque.

 

Os escolhidos pelo Imortais ausentes na seleção dos leitores (as):

 

Zagueiro: José Nasazzi 

Centenas de capitães já escreveram suas façanhas no futebol mundial, ergueram taças imponentes e tiveram enorme influência perante seus companheiros de time. No entanto, jamais existiu um capitão igual ou mais ascendente do que um uruguaio forte como aço, bravo como um touro e valente como um gladiador. Com ele em campo, a Seleção Uruguaia de futebol se tornou a mais vencedora do planeta na década de 1920 e início da de 1930, com direito a dois títulos olímpicos e uma Copa do Mundo. Apelidado de “El Mariscal” (o Marechal), “El Capitán” e “El Terrible”, aquele zagueiro viril e imponente fazia da área seu território e impunha medo em qualquer atacante. Altas doses de companheirismo, simplicidade e humildade também eram vistas em um homem que nasceu para liderar. José Nasazzi marcou época num curto espaço de tempo e se eternizou como o primeiro caudillo do futebol sul-americano, bem como o primeiro a fazer valer como nunca a alcunha de capitão de uma equipe de futebol. Foi impecável como defensor, desarmava rivais com extrema precisão, ganhava quase todas por cima e por baixo, tinha velocidade, explosão e ajudava muito bem o meio de campo com toques rápidos e sem firulas. Considerado o melhor zagueiro da história uruguaia, Nasazzi teve a honra de ser o primeiro capitão campeão mundial, em 1930, com seu semblante sereno, ávido e glorioso que serviram como bases para os outros que também conquistaram o planeta. Foram 41 jogos pela Celeste na carreira. Leia mais sobre ele clicando aqui!

Zagueiro: José Santamaría

Com uma regularidade impressionante e enorme senso de colocação, José Santamaría foi um dos maiores zagueiros da história e lenda incontestável do Real Madrid, pelo qual venceu quatro Ligas dos Campeões da UEFA, um Mundial de Clubes, seis Campeonatos Espanhóis e uma Copa do Rei, disputando mais de 330 jogos pelos merengues. Cria do Nacional de Montevidéu, venceu cinco campeonatos nacionais pelo tricolor antes de ir para a Espanha, em 1957. O zagueiro podia atuar também como volante e lateral-direito. Disputou 20 jogos pelo Uruguai e esteve na equipe da Copa do Mundo de 1954. Em 1958, se naturalizou espanhol e defendeu a Espanha na Copa do Mundo de 1962.

 

Lateral-Direito: José Leandro Andrade

AFP PHOTO

 

Com atuações tão impecáveis e perfeitas, José Leandro Andrade recebeu do público francês que o viu jogar nas Olimpíadas de 1924, em Paris, o apelido de “A Maravilha Negra”. E ainda era pouco para descrever o uruguaio, o primeiro jogador negro a brilhar no futebol mundial. Dono do meio de campo e do setor direito da defesa da melhor seleção uruguaia de todos os tempos (entre 1923 e 1930), Andrade esbanjava vigor físico, elegância e precisão no desarme com suas famosas tesouras. O mítico jogador ajudou a Celeste Olímpica a conquistar nada mais nada menos que seis títulos, entre eles dois ouros olímpicos e a primeira Copa do Mundo da FIFA. Com 1,80m de altura e 79kg, ele tinha um físico privilegiado e se impunha perante os rivais com muito fôlego, passes precisos e seriedade. Disputou 43 jogos pela Celeste, perdeu apenas três e marcou um gol. Leia mais sobre ele clicando aqui!

 

Meia: Juan Alberto Schiaffino

Foram duas décadas de brilho, gols, cadência e passes exuberantes. Duas décadas como o mais técnico jogador que o Uruguai já havia revelado. Duas décadas de títulos, grandes feitos e duas Copas do Mundo no currículo. E, como se não bastasse, uma participação mais do que decisiva no bicampeonato mundial da Celeste Olímpica, em 1950. Se houve um jogador que encheu os olhos de todos nos anos 1940 e 1950, foi ídolo de dois dos maiores clubes do planeta (Peñarol e Milan) e conseguiu virar um verdadeiro “Deus do futebol” para uruguaios e italianos, esse alguém foi Juan Alberto Schiaffino. O alto e esguio meia / atacante foi um dos maiores de todos os tempos ao aliar toques rápidos e total domínio de bola a uma visão de jogo e cadência dignas de um camisa 10. Lenda e patrimônio do futebol uruguaio, Schiaffino venceu várias eleições de melhor jogador de seu país na história. Foram 21 jogos e oito gols pelo Uruguai. Leia mais sobre ele clicando aqui!

 

Atacante: Héctor Scarone

Pense em todos os atributos de um bom atacante. Drible. Chute forte. Visão de jogo. Boa colocação. Velocidade. Oportunismo. Cabeçadas certeiras ao gol (isso mesmo em tempos de bola pesada). Scarone tinha tudo isso. E foi assim que ele se transformou em um dos mais brilhantes atletas uruguaios da história e peça fundamental nas glórias da Celeste nos anos 1920 e 1930. Revelado pelo Nacional, jogou no clube de Montevidéu em três oportunidades e conquistou oito títulos do Campeonato Uruguaio. Começou a jogar pela seleção em 1917 e disputou 52 partidas na carreira, anotando 31 gols. Por décadas, o craque foi o maior artilheiro da Celeste até ser superado pelo trio Suárez, Cavani e Diego Forlán (hoje ele é o 4º na lista), mas todos eles com muito mais jogos do que “El Gardel del Fútbol”, como ficou conhecido esse craque. Scarone venceu o bicampeonato olímpico de 1924 e 1928, a Copa do Mundo de 1930 e quatro títulos continentais. Nascido na década de 1890, Scarone era um dos mais experientes do elenco campeão do mundo em 1930.

 

Leia muito mais sobre o Uruguai aqui no Imortais clicando neste link!

 

 

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