Time dos Sonhos do São Paulo

 

Por Guilherme Diniz

 

Embora seja o mais jovem dos grandes clubes brasileiros, o São Paulo Futebol Clube possui provavelmente a mais rica e gloriosa história do futebol nacional. Repleto de jogadores icônicos e hiper vencedor ao longo das décadas, o tricolor ostenta títulos até hoje inigualáveis por seus rivais mais do que centenários, entre eles um tricampeonato mundial, o pé-quente de sempre ter atletas nos elencos do Brasil campeões de Copas do Mundo e o recorde de 12 títulos internacionais conquistados até hoje, fazendo do clube o único brasileiro entre os 11 recordistas no planeta. Mesmo sem vencer um grande troféu desde 2012, o São Paulo já teve alguns dos mais emblemáticos esquadrões do futebol, começando com o timaço dos anos 1940, o time comandado por Béla Guttmann e Zizinho de 1957, passando pela grande equipe do começo dos anos 1970, os Menudos dos anos 1980, o melhor SPFC de todos os tempos, do Mestre Telê, de 1991-1994, até o time que recolocou o tricolor no topo do mundo entre 2005-2008. Todos tiveram atletas de seleção e ajudaram a catapultar a torcida do clube ao 3º lugar entre as maiores do Brasil. E, com tanta história e tantos títulos, ela teve uma árdua missão para escalar os atletas desse São Paulo dos Sonhos. É hora de ver como ficou!

 

Os convocados pelos leitores e leitoras:

 

Goleiros: Rogério Ceni e Zetti 

Laterais-Direitos: Cafu e Cicinho 

Laterais-Esquerdos: Leonardo e Júnior

Zagueiros: Darío Pereyra, Lugano, Oscar e Roberto Dias

Volantes: Mineiro, Toninho Cerezo e Bauer

Meias: Raí, Pedro Rocha, Gérson, Kaká e Zizinho

Atacantes: Careca, Müller, Leônidas da Silva, Serginho Chulapa e Friedenreich

Técnico: Telê Santana

 

Esquema tático escolhido pelos leitores e leitoras: 4-3-3

Por conta das expressivas votações de Pedro Rocha e Toninho Cerezo, fizemos duas formações para o Time A, abrindo uma vaga para outro meia no Time B! Confira:

 

Time A – formação 1 – 4-3-3:

Rogério Ceni; Cafu, Darío Pereyra, Lugano e Leonardo; Mineiro, Toninho Cerezo e Raí; Leônidas da Silva, Careca e Müller.

 

Time A – formação 2 – 4-3-3:

Rogério Ceni; Cafu, Darío Pereyra, Lugano e Leonardo; Mineiro, Raí e Pedro Rocha; Leônidas da Silva, Careca e Müller.

Historicamente, o São Paulo sempre teve grandes zagueiros e meio-campistas. Por isso, um só time principal não conseguiu comportar tantos craques. Na formação do time A, temos três ídolos do time campeão do mundo em 2005 e que foram fundamentais para as glórias daquela temporada marcante: o goleiro-artilheiro Rogério Ceni, o zagueiro Lugano e o volante Mineiro (autor do gol sobre o Liverpool). Para completar a retaguarda foram eleitos os laterais Cafu e Leonardo, presentes no timaço dos anos 1990 e que curiosamente podiam jogar, também, como meias mais ofensivos graças às suas qualidades e técnicas privilegiadas; e o zagueiro Darío Pereyra, um verdadeiro emblema no São Paulo e considerado até hoje o maior zagueiro da história do clube. 

Do meio para frente, a torcida elegeu monstros incontestáveis: Toninho Cerezo faz dupla com Mineiro na formação 1 como volante, mas não pense que ele iria apenas marcar, pois o “vovô” iria dar muito trabalho às zagas com suas investidas ao ataque e qualidade plena no passe – o Milan de Capello que o diga… Na formação 2, o uruguaio Pedro Rocha é quem atua com características mais de armação do que de criação, dando ao time uma pegada bastante ofensiva. O camisa 10 seria um só: Raí, titã do bicampeonato da América de 1992-1993 e do primeiro título mundial de 1992 pra cima do Barcelona de Cruyff. O ataque desse timaço? Simplesmente Leônidas da Silva, Careca e Müller, a mistura perfeita da letalidade máxima dos Menudos com o expoente principal do Rolo Compressor dos anos 1940. O técnico? Mestre Telê Santana, óbvio. Isso é que é Ferrari!

 

Time B – formação – 4-3-3: 

Zetti; Cicinho, Oscar, Roberto Dias e Júnior; Bauer, Zizinho e Gérson; Kaká, Serginho Chulapa e Friedenreich.

O time B desse São Paulo dos Sonhos é tão forte quanto o primeiro. No gol, Zetti, goleiraço do time nos anos 1990 e herói da conquista da primeira Libertadores, em 1992, na cardíaca final contra o Newell’s. Os laterais escolhidos foram Cicinho e Júnior, símbolos da eficiência ofensiva do time de 2005 com suas memoráveis investidas ao ataque. A dupla de zaga com Oscar e Roberto Dias teria não só eficiência nos bloqueios dos atacantes rivais como muita qualidade na saída de bola e nos passes. No meio, Bauer, o “Monstro do Maracanã”, principal volante do Rolo Compressor dos anos 1940, teria a missão de proteger o miolo central enquanto Zizinho e Gérson organizam o meio de campo com a classe e visão de jogo que consagraram esses patrimônios do esporte brasileiro. No ataque, para acomodar o esquema escolhido por vocês, Kaká jogaria mais à frente, como um falso atacante, enquanto Serginho Chulapa, maior artilheiro da história do São Paulo, e Friedenreich, o primeiro ídolo, lá dos anos 1930, seriam os atacantes de ofício.

 

Os escolhidos pelos leitores e leitoras OBS: os dados sobre jogos e gols são do site oficial do São Paulo FC. 

 

Goleiro: Rogério Ceni – 89,9% dos votos

Período no clube: 1990-2015

Principais títulos pelo clube: 2 Mundiais de Clubes (1993 e 2005), 2 Copas Libertadores da América (1993 e 2005), 1 Copa Sul-Americana (2012), 2 Recopas Sul-Americanas (1993 e 1994), 1 Supercopa da Libertadores (1993), 1 Copa Conmebol (1994), 1 Copa Master da Conmebol (1996), 3 Campeonatos Brasileiros (2006, 2007 e 2008), 1 Torneio Rio-SP (2001), 3 Campeonatos Paulistas (1998, 2000 e 2005) e 1 Supercampeonato Paulista (2002).

Jogos: 1237

Gols: 131

 

Se todo ídolo é especial para o torcedor, alguns ídolos são mais especiais que outros. Mas o que é ser especial? Difícil explicar em uma só frase, um só adjetivo. Será que ser especial é vestir uma única camisa por 25 anos? Será que ser especial é se tornar o jogador que mais vestiu a camisa de um mesmo clube em toda a história do esporte? Será que ser especial é ser o jogador que mais vezes foi capitão de uma mesma equipe? Será que ser especial é esperar pacientemente durante seis anos até chegar a hora de ser titular? Será que ser especial é ousar, arriscar e ajudar o time não só com defesas, mas também com gols? Será que ser especial é marcar 131 gols e se tornar o maior goleiro-artilheiro da história? Será que ser especial é entrar para o Guinness Book? Será que ser especial é vencer 18 títulos oficiais em toda carreira? Será que ser especial é fazer uma das maiores partidas da carreira justamente em uma final de Mundial de Clubes? Será que ser especial é lotar um estádio em sua despedida e arrancar lágrimas de todos?

A resposta para todas essas perguntas é uma só: Rogério Ceni, o ser especial, maior ídolo da história do São Paulo Futebol Clube e a personificação máxima do torcedor tricolor dentro de campo. Rogério foi tão importante que o único adjetivo encontrado para caracterizá-lo é o de M1to: algo que nos remete ao transcendente, ao mágico e a tudo que não pode ser conhecido e entendido materialmente, mas que cria misteriosamente um elo de identificação imediato entre o povo, dando sentido e ordem a todas as coisas. Ora, só Rogério Ceni – um mito na acepção da palavra – para unir prontamente o povo que traz a armadura vermelha, preta e branca no coração. Durante a carreira, foi uma máquina de colecionar recordes, títulos e admiração. Por tudo isso ele foi eleito o goleiro deste São Paulo dos Sonhos. Leia mais sobre ele clicando aqui!

 

Goleiro: Zetti – 66,6% dos votos

Período no clube: 1990-1996

Principais títulos pelo clube: 2 Mundiais de Clubes (1992 e 1993), 2 Copas Libertadores da América (1992 e 1993), 1 Campeonato Brasileiro (1991), 1 Supercopa da Libertadores (1993), 2 Recopas Sul-Americana (1993 e 1994), 2 Campeonatos Paulistas (1991 e 1992) e 1 Copa Master da Conmebol (1996).

Jogos: 432

 

Foi a muralha tricolor durante os anos dourados do time do Morumbi. Decisivo na conquista da Libertadores de 1992, ao defender o pênalti derradeiro que selou o título, era adorado pelos torcedores pela segurança e por ser especialista em crescer nos momentos decisivos. O curioso é que quando chegou ao clube, em 1990, Zetti não era considerado um goleiro de primeira linha. Mas, ano após ano, provou sua excelência e foi inclusive convocado para a Copa do Mundo de 1994 como 2º goleiro, fazendo parte do elenco que conquistou o tetracampeonato mundial nos EUA. Dos 432 jogos disputados pelo tricolor, Zetti perdeu apenas 92 e venceu 217. Até a chegada de Rogério, o goleirão foi por muito tempo considerado o melhor da história do clube em sua posição.

 

 

Lateral-Direito: Cafu – 85,5% dos votos

Período no clube: 1988-1994

Principais títulos pelo clube: 2 Mundiais de Clubes (1992 e 1993), 2 Copas Libertadores da América (1992 e 1993), 2 Recopas Sul-Americanas (1993 e 1994), 1 Supercopa da Libertadores (1993), 1 Campeonato Brasileiro (1991) e 3 Campeonatos Paulistas (1989, 1991 e 1992).

Jogos: 272

Gols: 38

 

Uma. Duas. Três. Quatro. Cinco. Seis. Sete. Oito. Imagine você ser reprovado em oito peneiras de clubes logo no início de sua carreira como futebolista. Terrível, não é mesmo? Seria a deixa para desistir e partir para outra carreira? Para muitos, sim, mas para Marcos Evangelista de Moraes, o Cafu, de jeito nenhum! O craque e capitão do pentacampeonato mundial do Brasil, em 2002, foi exemplo de perseverança e conseguiu superar os obstáculos para se tornar um dos maiores jogadores do futebol mundial. Ícone do melhor São Paulo de todos os tempos, Cafu fez história com seus números, recordes e regularidade. Cheio de fôlego e polivalente, jogou não só como um exímio lateral-direito no São Paulo de Telê, mas também como meia, e, se precisasse, até atacante, tamanha sua técnica e habilidade. 

 

O jogador fez partidas memoráveis vestindo a camisa 11 tricolor e marcou época naquele esquadrão que venceu tudo o que disputou. Em 1992 e 1993, venceu ainda duas Bolas de Prata da revista Placar e, décadas depois, foi eleito para o Time dos Sonhos do Ballon d’Or da revista France Football, compondo a zaga dos sonhos ao lado de Beckenbauer e Maldini. Está bom para você? Bem, não foi nenhuma novidade para o torcedor tricolor, que sempre soube do talento do craque, que também fez história no Palmeiras de 1996, na Roma campeã da Itália em 2001 e no super Milan dos anos 2000. Leia mais sobre ele clicando aqui!

 

Lateral-Direito: Cicinho – 34,2% dos votos

Período no clube: 2004-2005 e 2010

Principais títulos pelo clube: 1 Mundial de Clubes da FIFA (2005), 1 Copa Libertadores da América (2005) e 1 Campeonato Paulista (2005).

Jogos: 151

Gols: 21

 

O lateral-direito chegou em 2004, após grandes atuações pelo Atlético-MG, e cravou seu espaço no time titular que alcançou as semifinais da Libertadores e fez uma boa campanha no Brasileirão. Mas foi em 2005 que Cicinho virou um fora de série na lateral-direita. Ele jogou muito, deu assistências impecáveis, cruzamentos milimétricos e marcou gols épicos, principalmente contra os rivais Palmeiras e Corinthians. Virou xodó da torcida e ganhou seu espaço na seleção brasileira, onde foi peça chave na conquista da Copa das Confederações de 2005 com atuações magistrais, principalmente na lendária final contra a Argentina. Após tanta eficiência, acabou indo para o Real Madrid, em 2006, foi convocado para a Copa do Mundo da Alemanha naquele ano, mas nunca mais conseguiu repetir as grandes atuações que teve pelo tricolor em nenhum outro clube. Mesmo assim, desbancou outros grandes laterais como De Sordi, Pablo Forlán e Zé Teodoro e foi eleito o segundo lateral-direito desse São Paulo dos Sonhos.

 

 

 

Lateral-Esquerdo: Leonardo – 58,1% dos votos

Período no clube: 1990-1991, 1993-1994 e 2001

Principais títulos pelo clube: 1 Mundial de Clubes (1993), 1 Supercopa Sul-Americana (1993), 2 Recopas Sul-Americanas (1993 e 1994) e 1 Campeonato Brasileiro (1991).

Jogos: 111

Gols: 17

 

Teve duas grandes passagens pelo São Paulo e em ambas foi decisivo. Na primeira, ajudou na conquista do Brasileiro de 1991, vencendo inclusive a Bola de Prata. Na segunda, ganhou o Mundial de Clubes e outros títulos internacionais atuando na maioria das vezes como meia-esquerda, uma das posições que consagraram o jogador em sua carreira além da lateral-esquerda. Muito técnico, com notável visão de jogo e intelectual, foi um dos grandes futebolistas brasileiros do final dos anos 1980 e em toda a década de 1990. Foi campeão do mundo com a seleção em 1994 e esteve no time vice-campeão mundial em 1998.

 

Lateral-Esquerdo: Júnior – 36,7% dos votos

Período no clube: 2004-2008

Principais títulos pelo clube: 1 Mundial de Clubes da FIFA (2005), 1 Copa Libertadores da América (2005), 3 Campeonatos Brasileiros (2006, 2007 e 2008) e 1 Campeonato Paulista (2005).

Jogos: 198

Gols: 11

 

Depois de fazer história no Palmeiras, Júnior voltou a exibir seu melhor futebol no São Paulo, principalmente entre 2004 e 2006. Clássico, rápido e exímio na lateral-esquerda, Júnior foi outro xodó do time e conquistou quase tudo em 2005 e 2006. Preciso no apoio ao ataque e também no suporte à defesa, conseguiu entrar na história do clube com sua regularidade e também um notável pé-quente, pois venceu 116 dos 198 jogos que disputou pelo tricolor.

 

 

Zagueiro: Darío Pereyra – 73,4% dos votos

Período no clube: 1977-1988

Principais títulos pelo clube: 2 Campeonatos Brasileiros (1977 e 1986) e 4 Campeonatos Paulistas (1980, 1981, 1985 e 1987).

Jogos: 453

Gols: 37

 

Garra, técnica, estilo, preparo físico invejável e coração no bico da chuteira, tudo no mais puro espírito uruguaio. Assim era Darío Pereyra, um dos maiores zagueiros da história de seu país e do São Paulo, onde virou ídolo e jogou por mais de 10 anos. Conquistou quatro Campeonatos Paulistas e dois Campeonatos Brasileiros (em especial o de 1986, fazendo dupla de zaga com Oscar) jogando sempre com amor à camisa e muita eficiência. De quebra, marcava muitos gols para um zagueiro (foram 37 pelo tricolor). Um ídolo eterno do clube do Morumbi. Atuou também pelo Nacional-URU, onde começou a carreira, Flamengo e Palmeiras. Estreou pela seleção aos 18 anos e aos 19 já era capitão. Foram 34 jogos e 14 gols pela Celeste, além de uma participação na Copa do Mundo de 1986. Podia atuar ainda como volante e até meia-armador graças à técnica para sair jogando. Pereyra foi eleito também para a Seleção dos Sonhos do Uruguai aqui do Imortais!

 

Zagueiro: Lugano – 56,4% dos votos

Período no clube: 2003-2006 e 2016-2017

Principais títulos pelo clube: 1 Mundial de Clubes da FIFA (2005), 1 Copa Libertadores da América (2005), 1 Campeonato Brasileiro (2006) e 1 Campeonato Paulista (2005).

Jogos: 213

Gols: 13

 

Ele chegou a contragosto do técnico do São Paulo em 2003, Oswaldo de Oliveira, e ganhou o apelido de “Jogador do Presidente”, por ter sido uma escolha do mandatário tricolor Marcelo Portugal Gouvêa. Mas, aos poucos, o zagueiro uruguaio provou seu valor com atuações cheias de raça e ganhou o apelido de “Dios Lugano” por ser a referência e o senhor da zaga do time, principalmente nas conquistas de 2005. Impecável na marcação, cheio de raça, temido pelos atacantes com sua cara de mal e os característicos olhos esbugalhados, além de ser apaixonado pelo clube, Lugano repetiu o sucesso de outros uruguaios que foram ídolos e campeões com o São Paulo nas décadas de 1970 e 1980. Sua saída, em 2006, para o futebol turco foi bastante sentida pela torcida. Anos depois, o zagueiro voltou a vestir a camisa tricolor, mas já para encerrar a carreira e sem a vitalidade de antes. Ídolo eterno do tricolor.

 

Zagueiro: Oscar – 49,6% dos votos

Período no clube: 1980-1987

Principais títulos pelo clube: 1 Campeonato Brasileiro (1986) e 4 Campeonatos Paulistas (1980, 1981, 1985 e 1987).

Jogos: 294

Gols: 13

 

Com uma habilidade notável em desarmar adversários sem cometer faltas, senso de colocação pleno e muito forte em jogadas aéreas, Oscar foi não só um dos maiores zagueiros do São Paulo, mas também do futebol brasileiro nos anos 1980. Revelado pela Ponte Preta, chegou ao tricolor em 1980 e rapidamente ganhou a vaga no time titular, formando ao lado de Darío Pereyra a considerada melhor dupla de zaga da história do São Paulo. Foi fundamental para os títulos estaduais daquela época e também para o Brasileirão de 1986. Pela seleção, Oscar disputou duas Copas do Mundo como titular – 1978 e 1982, esta na emblemática seleção de Telê – e uma como reserva, em 1986 – e defendeu as cores da amarelinha em 59 jogos, com dois gols marcados – um deles na goleada de 4 a 1 sobre a Escócia, no Mundial da Espanha. Na fatídica partida contra a Itália, em 1982, Oscar poderia ter empatado o jogo nos minutos finais em sua jogada característica, de cabeça, mas o goleiro Dino Zoff evitou a classificação brasileira com uma defesa sensacional.

 

Zagueiro: Roberto Dias – 27,2% dos votos

Período no clube: 1960-1973

Principais títulos pelo clube: 2 Campeonatos Paulistas (1970 e 1971).

Jogos: 527

Gols: 78

 

Enquanto praticamente todos os recursos do São Paulo viravam cimento e ferro para a construção do Morumbi e minavam o poderio de contratação de reforços e briga por títulos, vários jogadores deixavam o tricolor, menos um: Roberto Dias, um verdadeiro patrimônio do clube e um dos mais completos defensores do São Paulo em todos os tempos. Virtuoso zagueiro e exímio volante, Roberto Dias tinha uma categoria única e encantava a todos com seu futebol primoroso, lançamentos impecáveis e dribles desconcertantes. Causava sérios problemas aos mais talentosos atacantes, inclusive Pelé, que sempre disse que Roberto Dias foi um dos mais difíceis marcadores que teve na carreira. 

Grande cobrador de faltas, Roberto Dias marcou presença, também, nas seleções de base do Brasil e disputou as Olimpíadas de 1960. Em 1966, até figurou nas pré-listas de convocados para a Copa do Mundo, mas acabou de fora, algo que abalou bastante o jogador. Em 1970 e 1971, venceu seus primeiros títulos com o São Paulo e reeditou a parceria que teve com Gérson pela seleção. Em 1970, aos 28 anos, sofreu um infarto que prejudicou o restante de sua carreira, encerrada em 1978.

 

 

 

Volante: Mineiro – 61,6% dos votos

Período no clube: 2005-2006

Principais títulos pelo clube: 1 Mundial de Clubes da FIFA (2005), 1 Copa Libertadores da América (2005), 1 Campeonato Brasileiro (2006) e 1 Campeonato Paulista (2005).

Jogos: 126

Gols: 14

 

Pensar no São Paulo multicampeão de 2005-2006 é pensar em Mineiro, autor do gol mais importante da história recente do clube – do tricampeonato mundial, contra o Liverpool. Incansável, habilidoso e um leão no meio de campo, Mineiro fez, ao lado de Josué, uma das melhores duplas de volantes da história do futebol brasileiro. Marcava muito, roubava bolas como quem bebe água e chegou à seleção brasileira que disputou a Copa do Mundo de 2006. Além de fazer de tudo no meio de campo, Mineiro ainda aparecia nas jogadas de ataque tanto do time de Paulo Autuori quanto no comandado por Muricy Ramalho, em 2006. Após tanto sucesso no Morumbi, Mineiro foi jogar no futebol alemão, mas saiu como um ídolo e um dos mais queridos pela torcida em toda a história – idolatria comprovada nessa votação como o primeiro entre os volantes, com mais de 60% dos votos!

 

Volante: Toninho Cerezo – 61,3% dos votos

Período no clube: 1992-1993 e 1995

Principais títulos pelo clube: 2 Mundiais de Clubes (1992 e 1993), 1 Copa Libertadores da América (1993), 1 Supercopa da Libertadores (1993), 1 Recopa Sul-Americana (1993) e 1 Campeonato Paulista (1992).

Jogos: 72

Gols: 7

 

Craque de estilo clássico, passadas largas, lançamentos precisos e muita elegância, Toninho Cerezo foi um dos maiores meio-campistas da história do futebol brasileiro, com passagens por esquadrões emblemáticos como o Atlético-MG do final dos anos 1970pelo qual venceu duas Bolas de Ouro e três Bolas de Prata da revista Placar -, a Roma dos anos 1980, a Sampdoria do final dos anos 1980 e início dos anos 1990, e, claro, o São Paulo. Além de marcar, apoiar o ataque e dar assistências primorosas, Cerezo anotava gols e, mesmo com 37 anos, provou que ainda tinha talento de sobra. Seu grande ano foi em 1993, quando assumiu a responsabilidade de ser o líder do time após a saída de Raí e esbanjou qualidade naquela temporada, sendo inclusive o melhor em campo na épica final contra o Milan pelo Mundial de Clubes. Um craque histórico.

 

Volante: Bauer – 27,8% dos votos

Período no clube: 1944-1957

Principais títulos pelo clube: 5 Campeonatos Paulistas (1945, 1946, 1948, 1949 e 1953).

Jogos: 400

Gols: 18

 

Foi o “Monstro do Maracanã”, o volante que encantou a todos na Copa do Mundo de 1950 e que virou ídolo do São Paulo entre 1944 e 1957, período em que venceu cinco títulos paulistas, disputou 400 jogos e marcou 18 gols. Tinha um domínio de bola impecável e matava a redonda no peito como poucos. Sua categoria contribuiu demais para a fama da linha média tricolor dos anos 1940, ao lado de Ruy e Noronha. Ajudava o setor ofensivo com suas passadas largas e cruzamentos. Era cria das bases do clube. Pela seleção, Bauer disputou mais de 25 partidas e foi capitão do escrete canarinho na Copa do Mundo de 1954.

 

 

Meia: Raí – 91,9% dos votos

Período no clube: 1987-1993 e 1998-2000

Principais títulos pelo clube: 1 Mundial Interclubes (1992), 2 Copas Libertadores da América (1992 e 1993), 1 Campeonato Brasileiro (1991) e 5 Campeonatos Paulistas (1989, 1991, 1992, 1998 e 2000).

Jogos: 395

Gols: 128

 

Ele batalhou muito em campo para deixar de ser apenas o “irmão de Sócrates”, craque e gênio do Corinthians e da seleção brasileira, para ter identidade própria. Com um leque de qualidades invejável que o fizeram um dos mais completos meias do futebol nacional, Raí foi um dos maiores ídolos da história do São Paulo FC, craque, goleador, garçom e capaz de decidir partidas com talento, poder de decisão e muito futebol. Com ele em campo, e com Telê Santana no banco, o São Paulo dominou o cenário futebolístico nacional e internacional no começo da década de 1990 ganhando tudo o que disputou, dando shows pirotécnicos em campo e se transformando numa máquina de jogar bola. Sua atuação na final contra o Barcelona, pelo Mundial, segue com uma das melhores de um jogador vestindo o manto tricolor na história, além de seu golaço de falta no ângulo do goleiro Zubizarreta ser um dos mais belos da história do torneio.

Tanto sucesso levou o craque para Paris, onde fez história vestindo o azul e vermelho do PSG. Voltou para o Brasil, em 1998, para destruir mais uma vez seu adversário favorito: o Corinthians, na final do Campeonato Paulista. Pela seleção, disputou e venceu a Copa do Mundo de 1994. Raí é o 11º na lista dos artilheiros do São Paulo com 128 gols. Leia mais sobre ele clicando aqui!

 

Meia: Pedro Rocha – 63,3% dos votos

Período no clube: 1970-1977

Principais títulos pelo clube: 1 Campeonato Brasileiro (1977) e 2 Campeonatos Paulistas (1971 e 1975).

Jogos: 393

Gols: 119

 

Num misto de raça uruguaia com a mais nobre elegância do futebol arte, Pedro Rocha encantou os amantes do esporte com exibições formidáveis e uma categoria fascinante que o levou ao status de ídolo nos gigantes Peñarol e São Paulo e também na seleção uruguaia. Multicampeão no clube aurinegro, pelo qual venceu três Copas Libertadores e dois Mundiais de Clubes, “El Verdugo” (“o carrasco”) é o único jogador da história do Uruguai a disputar quatro Copas do Mundo consecutivas (1962, 1966, 1970 e 1974). Tranquilo, sempre longe dos holofotes e preocupado apenas em jogar o simples, Pedro Rocha foi um gigante em campo e um dos grandes meias do futebol nas décadas de 1960 e 1970, podendo atuar como meia, ponta-de-lança e também mais aberto, criando espaços para os companheiros, dando passes e marcando gols.

Pedro Rocha chegou ao São Paulo em 1970, ano em que o tricolor começou a montar um grande time após os difíceis anos de construção do Morumbi. Como estava se recuperando de uma contusão sofrida durante a Copa de 1970, Rocha não teve um bom início no São Paulo e demorou para se adaptar. Mesmo assim, o técnico do tricolor, Oswaldo Brandão, conseguiu juntar ele e Gérson no time e o São Paulo venceu o Campeonato Paulista de 1971. Pedro Rocha começou a despontar de vez apenas com a saída de Gérson, em 1972. Mais solto, jogou muito e virou rapidamente ídolo no São Paulo, começando a dinastia de bons uruguaios no tricolor. O jogador foi um dos artilheiros do Brasileiro de 1972, com 17 gols (ao lado de Dadá Maravilha), sendo o único estrangeiro a conseguir ser artilheiro do Brasileirão até hoje em toda a história do torneio! Leia mais sobre ele clicando aqui!

 

Meia: Gérson – 43,6% dos votos

Período no clube: 1969-1972

Principais títulos pelo clube: 2 Campeonatos Paulistas (1970 e 1971).

Jogos: 75

Gols: 11

 

Ele não era muito de cabecear, não gostava de marcar, costumava ficar centralizado em uma posição, tinha cara amarrada e nenhuma papa na língua. No entanto, aquele meia-armador tinha uma perna esquerda capaz de verdadeiras obras de arte e de realizar lançamentos superiores a 40 metros de distância como quem os fazia com as mãos. Ninguém jamais lançou como ele e com tamanha precisão. Ninguém colocou bolas nos peitos, pés e cabeças de tão longe e com tanta classe. E nenhum jogador na história do futebol brasileiro foi tão precioso como um legítimo armador de jogadas e, claro, gols, como Gérson, “cérebro” da Seleção Brasileira campeã da Copa do Mundo de 1970, no México, e ídolo em todos os clubes por onde passou. 

Polêmico dentro e fora de campo e com um repertório infindável de jogadas, desde cobranças de faltas magníficas até chutes com o mais puro veneno, o craque superou críticas e maus momentos para entrar na história com um futebol virtuoso e sem frescuras. Se fosse preciso, ele dava bicão. Se fosse preciso, ele dividia e até quebrava a perna de algum rival mal intencionado. E, se fosse preciso, ele construía uma jogada que resultaria em um gol de cinema. Capitão do time campeão paulista de 1970, que acabou com o longo jejum de troféus do tricolor, Gérson marcou época no São Paulo e foi um dos responsáveis pelas lotações máximas do Morumbi naquele começo de anos 1970, afinal, vê-lo em campo era um deleite. Leia mais sobre ele clicando aqui!

 

Meia: Kaká – 29,9% dos votos

Período no clube: 2001-2003 e 2014

Principais títulos pelo clube: 1 Torneio Rio-SP (2001) e 1 Supercampeonato Paulista (2002).

Jogos: 153

Gols: 50

 

Na juventude, o esporte não era seu único caminho. Havia outros, mas ele escolheu a bola. E, com a concorrência ferrenha à sua volta, teve uma certeza: ou ele jogava como nunca ou seria atropelado. Por isso, ele arrancou. E arrancou. Ano após ano, cresceu de produção. Virou uma promessa. E, quando mais seu time precisou dele, lá estava o garoto marcando dois gols e dando o título inédito do Torneio Rio-SP ao São Paulo. Um ano depois, lá estava ele fazendo a festa no Japão com o título da Copa do Mundo pela seleção. E, anos depois, fazendo história no Milan campeão da Europa e do Mundo em 2007. Era um atleta moderno. Não dependia apenas da técnica nem dos dribles. Tinha visão de jogo, explosão, físico, consciência tática. E chutava… Ah, como chutava! E como fazia golaços! Kaká foi sem dúvida um dos mais icônicos atletas dos anos 2000 e só não teve uma carreira ainda mais longeva por causa das lesões que tanto atrapalharam sua trajetória.

Mesmo com pouco tempo no São Paulo, ele marcou seu nome na história do clube pelo título de 2001 e pelas atuações que fizeram o tricolor liderar com sobras o Brasileirão de 2002, além de criar uma enorme geração de novos torcedores (principalmente torcedoras) ao clube. Muito tempo depois, Kaká voltou e fez alguns grandes jogos, mas a condição física já não era a mesma. Mas valeu para o torcedor matar a saudade do garoto prodígio que ganhou o mundo. Leia mais sobre ele clicando aqui!

 

Meia: Zizinho – 27,5% dos votos

Período no clube: 1957-1958

Principais títulos pelo clube: 1 Campeonato Paulista (1957).

Jogos: 67

Gols: 27

 

Todos, sem exceção, admiravam sua valentia, seu talento e sua genialidade em atacar, armar jogadas, cabecear, chutar e ver o jogo como ninguém poderia ver. Seu futebol era vistoso, bonito. Dava aula e se exibia para todos com seu jeito arisco de ser. Foi o maior jogador brasileiro antes de Pelé, que sempre afirmou ser fã do futebol de Zizinho. Já consagrado por suas passagens pelo Flamengo e pela seleção brasileira, Zizinho aceitou o desafio de jogar no São Paulo, em 1957, já veterano e com 35 anos. Mestre Ziza era visto com desconfiança pela imprensa paulista, mas mostrou que ainda tinha lenha para queimar. O craque conduziu o tricolor de Poy, Mauro Ramos, Gino Orlando e Canhoteiro ao título do Campeonato Paulista daquele ano com uma vitória decisiva por 3 a 1 sobre o Corinthians de Gylmar e Cláudio no Pacaembu. 

 

Foram 67 jogos pelo São Paulo e 27 gols. Foi pelo São Paulo, inclusive, que Zizinho enfrentou, sem saber, um fã: Pelé, então com 17 anos, que viu seu grande ídolo naquele ano de 1957 em uma goleada de 6 a 2 do tricolor pra cima do Peixe. Naquele jogo histórico, acontecia a troca de majestade no futebol brasileiro: saía Ziza, melhor brasileiro dos anos 1940 e 1950, e entrava Pelé, melhor dos anos 1960, 1970 e da eternidade. Leia mais sobre Zizinho clicando aqui!

 

 

 

Atacante: Careca – 80% dos votos

Período no clube: 1983-1987

Principais títulos pelo clube: 1 Campeonato Brasileiro (1986) e 1 Campeonato Paulista (1985).

Jogos: 191

Gols: 115

 

Em qualquer lista com os 10 maiores atacantes da história do futebol brasileiro, certamente Antonio de Oliveira Filho, mais conhecido como Careca, estará presente. O artilheiro de Guarani, São Paulo, Napoli e seleção brasileira foi um dos mais espetaculares centroavantes do nosso futebol, sinônimo de qualidade e arte em campo e dono de um vasto repertório de jogadas dentro e fora da área. Careca decidia jogos sozinho, ganhou dois Brasileiros em um curto espaço de tempo e foi a estrela maior do Brasil na Copa do Mundo de 1986, quando marcou cinco gols. Sua ausência na Copa de 1982, aquela da seleção mágica de Telê, foi muito sentida e certamente uma das consequências para o revés canarinho em terras espanholas.

 

Pelo São Paulo, Careca foi a estrela máxima dos Menudos do Morumbi, time que deu show e faturou o Brasileiro de 1986 na mais dramática e épica final da história do Campeonato Brasileiro, com um golaço de Careca no último minuto que empatou o jogo em 3 a 3 e levou a decisão para os pênaltis. Naquela temporada, o craque foi absolutamente perfeito e artilheiro com 25 gols, além de vencer a Bola de Prata e a Bola de Ouro da revista Placar. Após tanto brilho pelo tricolor, foi jogar no Napoli e fez uma parceria memorável com o genial Maradona, conquistando três títulos e barbarizando a Europa com lances magníficos e gols mais uma vez decisivos. Careca foi, sem dúvida, o maior atacante da história do São Paulo. E sua liderança nesta eleição prova isso. Leia mais sobre ele clicando aqui!

 

Atacante: Müller – 71,9% dos votos

Período no clube: 1984-1988, 1990-1994 e 1996

Principais títulos pelo clube: 2 Mundiais de Clubes (1992 e 1993), 2 Copas Libertadores da América (1992 e 1993), 2 Campeonatos Brasileiros (1986 e 1991), 1 Supercopa da Libertadores (1993) e 4 Campeonatos Paulistas (1985, 1987, 1991 e 1992).

Jogos: 386

Gols: 160

 

Atacante simplesmente infernal, goleador, arisco e velocíssimo. Foi assim que Müller despontou para o futebol nos anos 1980 e formou, ao lado de Sidney, Silas e Careca, a linha de frente principal dos Menudos do Morumbi. O craque disputou as Copas de 1986 e 1990 como titular da seleção graças ao seu desempenho no tricolor. Após uma breve saída em 1988 para jogar no Torino, Müller voltou em 1991 a tempo de colecionar mais títulos e integrar outro timaço do São Paulo. Foi decisivo quando mais o tricolor precisou de seus gols, principalmente na final do Mundial de 1993, quando marcou “o gol sem querer” contra o Milan e o dedicou com “muito carinho” ao zagueiro Costacurta… Müller é o 7º maior artilheiro da história do São Paulo com 160 gols. Esteve ainda na seleção campeã do mundo na Copa de 1994.

 

Atacante: Leônidas da Silva – 68,7% dos votos

Período no clube: 1942-1950

Principais títulos pelo clube: 5 Campeonatos Paulistas (1943, 1945, 1946, 1948 e 1949).

Jogos: 211

Gols: 144

 

Mito, lenda, incontestável. O Diamante Negro possui, no memorial do São Paulo, uma enorme escultura sua cujo retrato é ele aplicando a bicicleta, sua marca registrada. Foi ele quem transformou para sempre a história do tricolor e acabou de vez com o estigma de que o clube não podia brigar com os rivais Corinthians e Palmeiras. Não só brigou como goleou, atropelou e dominou, provando que “a moeda podia, sim, cair em pé”. Com Leônidas, o São Paulo virou grande, fez história e catapultou sua trajetória dali em diante. Artilheiro pleno do time nos anos 1940, o craque provou que mesmo com mais de 30 anos ainda podia jogar muito futebol.

A famosíssima foto de Leônidas. Uma imagem simplesmente eterna captada por Alberto Sartini.

 

Disputou 211 jogos e marcou 144 gols pelo São Paulo entre 1942 e 1950. É o 8o maior artilheiro da história do clube. Coisa de craque imortal. Aqui não há espaço suficiente para falar da importância dessa lenda para o São Paulo e para o futebol. Leia muito mais sobre ele clicando aqui!

 

Atacante: Serginho Chulapa – 57,6% dos votos

Período no clube: 1973-1982

Principais títulos pelo clube: 1 Campeonato Brasileiro (1977) e 3 Campeonatos Paulistas (1975, 1980 e 1981).

Jogos: 399

Gols: 242

 

Por quase uma década, se aquele atacante desengonçado e grandalhão pegasse a bola e partisse em direção ao gol, já era. Muita gente achava que ele ia cair, perder a bola, tropeçar. Mas ele guardava a redonda lá dentro. Foi assim 242 vezes. E foi assim que Serginho Chulapa se transformou no maior artilheiro da história do São Paulo e em um dos mais famosos centroavantes do futebol brasileiro. Com 1,94m de altura, Serginho já era um perigo para qualquer zaga adversária com seu corpanzil, e aumentava a fama com impulsão, a técnica em utilizar os braços e o corpo para se desvencilhar do adversários, o potente chute de perna esquerda e as boas cobranças de faltas e pênaltis. Ganhou a idolatria da torcida não só pelos gols, mas pelas declarações polêmicas que costumava dar dentro e fora de campo, além de suas malandragens e o temperamento explosivo. Ausente da Copa de 1978 por causa de uma severa punição, foi titular na Copa de 1982, assumindo a vaga do contundido Careca.

 

Atacante: Friedenreich – 28,7% dos votos

Período no clube: 1930-1935

Principais títulos pelo clube: 1 Campeonato Paulista (1931).

Jogos: 127

Gols: 106

 

Antes de uma variação de esquemas táticos, preparação física e de jogadores profissionais, já surgia o primeiro craque do futebol brasileiro, em um jogo no qual a trave ainda era de madeira e os tempos tinham apenas quarenta minutos. Arthur Friedenreich, mais conhecido como “El Tigre”, foi o principal desbravador do futebol brasileiro, pioneiro na arte de jogar e na formação técnica, social e cultural do jogador brasileiro no século XX. Por esse motivo, sua importância extrapola as quatro linhas, indo de encontro com a identidade da bola no Brasil. “El Tigre” plantou uma semente, que depois deu muitos frutos ao povo brasileiro, como Leônidas, Zizinho e Pelé. Foi ele, também, o primeiro grande goleador nacional, se consagrando artilheiro inúmeras vezes do Campeonato Paulista e dono de histórias de heroísmo envolvendo até guerra e lendas por conta de seus feitos.

Primeiro grande ídolo do São Paulo, Fried venceu pelo tricolor o Campeonato Paulista de 1931, o 7º de sua carreira, com incríveis 39 anos. Dois anos depois, o atacante participou do primeiro jogo da era profissional do futebol paulista, na partida entre São Paulo e Santos, na Vila Belmiro, que terminou com goleada de 5 a 1 para o tricolor, com Fried marcando o gol inaugural do encontro. Com 106 gols em 127 jogos pelo São Paulo, Friedenreich possui até hoje a maior média de gols da história entre todos os goleadores da equipe do Morumbi: 0,83 gol por jogo. Leia mais sobre ele clicando aqui!

 

 

 

Técnico: Telê Santana – 89,9% dos votos

Período no clube: 1973 e 1990-1996

Principais títulos pelo clube: 2 Mundiais de Clubes (1992 e 1993), 2 Copas Libertadores da América (1992 e 1993), 2 Recopas Sul-Americanas (1993 e 1994), 1 Supercopa da Libertadores (1993), 1 Campeonato Brasileiro (1991), 1 Copa Conmebol (1994), 1 Troféu Ramón de Carranza (1992), 1 Troféu Tereza Herrera (1992) e 2 Campeonatos Paulistas (1991 e 1992).

 

De Fio de Esperança a técnico de futebol. De treinador simples a comandante da seleção brasileira. De pé-frio a bicampeão mundial. De bicampeão mundial a Mestre. De Mestre a melhor de todos os tempos no Brasil. Telê Santana da Silva, o mineiro bem brasileiro, o brasileiro bem carioca, bem paulista, bem amado, foi o melhor técnico que o futebol nacional já teve. Isso é unânime. Podem discordar, podem espernear, podem vir com uma enxurrada de números, fatos. Todos irão cair por terra. Nenhum outro treinador foi tão inteligente, tão amigo, tão impecável fora das quatro linhas quanto o “Seu Telê”, o Mestre. De contestado após naufragar com a seleção na Copa de 1982, Telê viveu o auge e calou críticos ao transformar o São Paulo no maior espetáculo nacional e internacional entre 1991 e 1993. Como jogava bola aquele time. Como Raí, Cafu, Müller, Leonardo, Toninho Cerezo e Zetti se entendiam. O São Paulo não apenas jogava. Ele dava show. Jogava bonito. Jogava por títulos, por hegemonia, para a torcida. Jogava sempre com categoria, de cabeça erguida, em prol do futebol, do espetáculo. 

Telê Santana e Muricy, nos tempos áureos dos anos 1990. Foto: Arquivo / Agência Estado.

 

Telê transformava jogadores comuns em craques. Brucutus em ótimos defensores. Pés-murchos em canhões certeiros. Laterais em meias. Zagueiros em volantes. Telê fazia mágica. Fazia história. E entrou para a eternidade. Até hoje ele é lembrado e venerado pelos torcedores, principalmente em 2005, ano que o São Paulo venceu a Libertadores pela terceira vez, a primeira sem o Mestre. Na decisão do título, a torcida cantou seu nome. Telê faleceu em 2006, mesmo ano em que o São Paulo venceu, depois de 15 anos, o Campeonato Brasileiro, uma justa homenagem a um patrimônio tricolor. Leia mais sobre ele clicando aqui!

 

 

São Paulo dos Sonhos do Imortais!

 

Goleiros: Rogério Ceni e Zetti 

Laterais-Direitos: Cafu e De Sordi

Laterais-Esquerdos: Leonardo e Noronha

Zagueiros: Darío Pereyra, Lugano, Mauro Ramos e Roberto Dias

Volantes: Mineiro, Toninho Cerezo e Bauer

Meias: Raí, Pedro Rocha, Gérson e Zizinho

Atacantes: Careca, Canhoteiro, Leônidas da Silva, Serginho Chulapa, Müller e Friedenreich

Técnico: Telê Santana

 

Time A – formação 1 – 4-1-2-3:

Rogério Ceni; Cafu, Darío Pereyra, Lugano e Leonardo; Mineiro, Raí e Pedro Rocha; Leônidas da Silva, Careca e Canhoteiro.

Time A – formação 2 – 4-3-3:

Rogério Ceni; Cafu, Darío Pereyra, Lugano e Leonardo; Mineiro, Toninho Cerezo e Raí; Leônidas da Silva, Careca e Canhoteiro.

Assim como o time dos leitores, o do Imortais também tem duas formações para poder acomodar tantos craques, adicionando um atacante entre os convocados. A primeira é bastante ofensiva, com Mineiro como volante e Raí e Pedro Rocha na armação de jogadas para o trio Leônidas, Careca e Canhoteiro destruir as zagas rivais. No setor defensivo, vamos com a mesma formação escolhida por vocês, com Rogério no gol, Cafu e Leonardo nas laterais e a dupla uruguaia na zaga! Na formação 2, Pedro Rocha dá lugar a Toninho Cerezo para uma maior proteção à zaga, com Raí mais concentrado na armação e o mesmo trio de ataque.

 

Time B – formação – 4-3-3:

Zetti; De Sordi, Mauro Ramos, Roberto Dias e Noronha; Bauer, Zizinho e Gérson; Friedenreich, Serginho Chulapa e Müller.

Com praticamente o mesmo esquema tático, este São Paulo dos Sonhos é igualmente fantástico com Zetti no gol, De Sordi na lateral-direita, Noronha na esquerda, e a zaga com o capitão do bicampeonato mundial do Brasil, Mauro Ramos, ao lado de Roberto Dias. No meio, Bauer iria garantir a segurança na marcação para Zizinho e Gérson criarem jogadas e o trio Müller, Serginho Chulapa e Friedenreich guardar gols e mais gols lá na frente!

 

Os escolhidos pelo Imortais ausentes no time dos leitores e leitoras:

 

Lateral-Direito: De Sordi

Período no clube: 1952-1965

Principais títulos pelo clube: 2 Campeonatos Paulistas (1953 e 1957).

Jogos: 544

Gols: 0

 

Exímio marcador, com boa presença na cobertura ao ataque e na proteção à zaga, De Sordi foi titular absoluto do Brasil na Copa de 1958, ficando de fora apenas da final. Tinha uma notável regularidade e enorme impulsão, o que lhe dava vantagem sobre vários rivais em jogadas pelo alto. Era tão talentoso defensivamente que podia atuar até como zagueiro central, função que desempenhou em algumas partidas naqueles anos 1950. Foi um ídolo no São Paulo e disputou 544 jogos, tornando-se o 3º na lista dos jogadores que mais vestiram a camisa do clube na história.

 

Lateral-Esquerdo: Noronha

Período no clube: 1942-1951

Principais títulos pelo clube: 5 Campeonatos Paulistas (1943, 1945, 1946, 1948 e 1949).

Jogos: 298

Gols: 13

 

Atuava pelo lado esquerdo e fechava a linha média mais famosa da história do São Paulo, nos anos 1940. Incansável, marcador pleno e com uma vitalidade impressionante, foi outro que virou símbolo do timaço tricolor e ganhou espaço inclusive na seleção. Jogou de 1942 até 1951 no São Paulo e disputou 298 jogos, marcando 13 gols. Participou de todos os cinco títulos paulistas dos anos 1940. Era uma voz de liderança muito importante nos vestiários e que garantia a ordem e regularidade dos atletas.

 

Zagueiro: Mauro Ramos

 

Período no clube: 1948-1959

Principais títulos pelo clube: 4 Campeonatos Paulistas (1948, 1949, 1953 e 1957).

Jogos: 498

Gols: 2

 

De estilo refinado, passes precisos e senso de colocação pleno, foi um dos maiores zagueiros da história do futebol brasileiro. Sua classe imperava em campo e se tornou um símbolo do futebol bem jogado. Jogou no São Paulo de 1948 até 1959 e participou de quatro conquistas do Campeonato Paulista. Pela seleção, foi capitão do time bicampeão do mundo na Copa de 1962 e ainda titular no lendário Santos de Pelé nos anos 1960. Disputou 498 jogos pelo tricolor, o 9º que mais vestiu a camisa do clube na história. Em sua cidade natal, Poços de Caldas (MG), existe uma estátua em sua homenagem.

 

Atacante: Canhoteiro

Período no clube: 1954-1963

Principais títulos pelo clube: 1 Campeonato Paulista (1957).

Jogos: 413

Gols: 105

Sabe tudo o que Garrincha aprontou pelo lado direito dos gramados? Canhoteiro fez quase o mesmo pela esquerda. Driblador nato, rápido, talentosíssimo, goleador e técnico, Canhoteiro foi um dos maiores pontas do esporte nacional. Perito em embaixadinhas, fazia a firula com qualquer coisa (moeda, laranja, bolinha de gude…), mas adorava mesmo era entortar zagueiros, principalmente perto da bandeirinha de escanteio, muitas vezes até de costas. Seria nome certo no time titular da Copa do Mundo de 1958, mas acabou cortado muito por causa da boemia, algo que atrapalhou bastante sua carreira e deixou o caminho livre para Zagallo brilhar. Foi tão ídolo no São Paulo que chegou a ter um fã-clube em sua homenagem, algo raro na época.

 

Leia muito mais sobre o São Paulo clicando aqui!

 

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4 thoughts on “Time dos Sonhos do São Paulo

  1. Só craques no SP hein.. Sou Corinthiano mas tenho que admitir.. Mas o imortais quebrou a regra aí hein rs.. Se escolhem o esquema com 1 volante e 2 tem votação expressiva o segundo vai pro time B ué… No fim o SP ficou com 23 escalados contra 22 de Corinthians e flamengo..

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