Coudet comenta sobre saída do Inter e faz paralelo com futebol brasileiro, argentino e espanhol


 

Imagine que você é um técnico de futebol e seu time é líder do Campeonato Brasileiro, está nas oitavas de final da Copa Libertadores e nas quartas de final da Copa do Brasil. De repente, um clube na zona de rebaixamento do Campeonato Espanhol faz uma proposta e solicita seus serviços. Você recusaria? A maioria das pessoas, sim. Mas Eduardo Coudet, não. Em novembro de 2020, o argentino surpreendeu a todos quando deixou o Internacional nas condições citadas acima e foi dirigir o Celta de Vigo-ESP com risco iminente de ser rebaixado na liga espanhola. Nenhuma das três possíveis chances de título com o Inter deixaram Coudet satisfeito e ele preferiu o incerto do que a aparente estabilidade no comando do Colorado.

O grande problema foi a falta de sintonia entre Coudet e a diretoria do clube gaúcho, que não atendeu aos pedidos do técnico por reforços e vivia em atritos com o argentino por causa disso. Ele chegou ao Inter com a promessa de um elenco forte e competitivo, e, mesmo sem as peças necessárias, colocou o time do Beira-Rio no topo do Brasileirão com força ofensiva, muita intensidade de jogo e espaço para os jovens da base, embora a defesa enfrentasse problemas no jogo aéreo e o jejum de vitórias nos clássicos contra o Grêmio fosse um incômodo para a torcida. O jeito centralizador aumentou o atrito com a diretoria, que naquele final de 2020 isolou ainda mais Coudet, que não viu outra escolha senão migrar para o futebol espanhol. A torcida do Inter se viu traída pelo argentino e, no decorrer da temporada, viu o time ser eliminado na Libertadores, na Copa do Brasil e perder o título brasileiro na última rodada para o Flamengo.

Coudet foi bem claro que deixou o Inter bastante frustrado dizendo que “é difícil para um treinador se apresentar como líder de algum lugar, e às vezes quando você não se sente acompanhado, essas coisas costumam acontecer. São decisões pessoais que se analisam internamente”. Sobrinho de Filpo Núñez, treinador argentino que fez história no Palmeiras dos anos 1960, Coudet foi jogador profissional e começou a carreira de técnico em 2015, no Rosário Central-ARG. Após uma rápida passagem pelo Tijuana-MEX, foi para o Racing-ARG, em 2018, e faturou o Campeonato Argentino de 2018-2019 e o Trofeo de Campeones de 2019, credenciais que chamaram a atenção do Inter e colocaram o treinador entre as promessas do futebol mundial, rendendo comparações a Marcelo Bielsa e Jürgen Klopp pelo seu jeito energético à beira do gramado.

Foto: EFE/ Marcelo Oliveira.

 

No Celta, Coudet provou seu talento e tirou clube da zona de rebaixamento, mantendo o time celeste em uma confortável 10ª colocação faltando sete rodadas para o fim de La Liga. Em uma entrevista com o time da Betway, casa de apostas online, Coudet disse que tinha certeza da recuperação do Celta ao longo do campeonato. 

“Estava no Brasil, na 1ª colocação, e pouco tempo depois estava na Espanha, com uma equipe na última posição. No entanto, sempre tive muita confiança de que a equipe poderia reagir e foi o que aconteceu”.

No Celta, Coudet conseguiu tirar o time do rebaixamento e recebeu inúmeros elogios da imprensa europeia. Foto: Jose Manuel Alvarez/Quality Sport Images/Getty Images.

 

Com a recente inauguração de um moderno centro de treinamentos, com três gramados, academia completa, instalações para os jogadores profissionais e da base, piscina e sala de imprensa, Coudet ficou surpreso com a estrutura do clube e espera crescer junto com a equipe nos próximos meses. “É a minha primeira experiência na Europa, não participei da formação do elenco, não fiz pré-temporada, é um desafio para continuar crescendo”. Ainda na entrevista à Betway, Coudet fez uma análise entre o futebol brasileiro, o argentino e o espanhol, baseando-se na experiência que teve em suas passagens por clubes da América do Sul e pelo que já notou em seu trabalho atual no Celta. 

 

“Os jogadores brasileiros são mais fortes fisicamente do que em qualquer parte do mundo, mais velozes e mais técnicos, mas em relação ao argentino não tem tanto toque. É um futebol muito equilibrado, que muda muito e que se vive como na Argentina, com grau de intensidade total. Na Espanha, existe a diferença na velocidade, principalmente na tomada de decisões, em como a bola corre, na velocidade em que a bola é tocada. Todos têm suas características e diferenças”.

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