Time dos Sonhos do Grêmio


 

Por Guilherme Diniz

 

Ele sempre foi um dos clubes mais competitivos do futebol brasileiro e sul-americano. Conquistou os principais torneios do planeta e alcançou feitos impressionantes e inimagináveis. Quando você acha que ele não tem mais chance, que morreu, ele vai e ressuscita. Vence. Dá a volta por cima. Um legítimo imortal, como frisa a fanática torcida tricolor desde 1903. O Grêmio FBPA possui uma das mais ricas histórias do futebol e já teve craques geniais e grandes ídolos. Após ficar restrito mais às glórias estaduais até meados dos anos 1960 e 1970, o tricolor alçou voos mais altos a partir da década de 1980 para chegar ao topo do mundo em 1983. Desde então, o clube possui em sua galeria títulos nacionais, continentais e sempre ficou entre os primeiros no ranking da CBF tamanha competitividade tanto no Campeonato Brasileiro quanto na Copa do Brasil – esta uma de suas principais paixões. É hora de conferir como ficou o Grêmio dos Sonhos!

 

Os convocados pelos leitores e leitoras:

 

Goleiros: Danrlei e Lara

Laterais-Direitos: Arce e Paulo Roberto

Laterais-Esquerdos: Everaldo e Roger

Zagueiros: Hugo De León, Pedro Geromel, Mauro Galvão e Aírton Pavilhão

Volantes: Dinho, Emerson e Arthur

Meias: Ronaldinho, Mário Sérgio, Tarciso e Paulo Cézar Caju

Atacantes: Renato Portaluppi, Jardel, Paulo Nunes, Luan e Alcindo

Técnico: Luiz Felipe Scolari

 

Esquema tático escolhido pelos leitores e leitoras: 4-3-3 (66,2% dos votos)

 

 

 

Time A – formação – 4-3-3:

Danrlei; Arce, Pedro Geromel, Hugo De León e Everaldo; Dinho, Mário Sérgio e Ronaldinho; Renato Portaluppi, Jardel e Paulo Nunes.

 

O time principal deste Grêmio dos Sonhos reúne ídolos das maiores conquistas do clube. No gol, Danrlei, unanimidade nessa enquete e guardião do esquadrão campeão da América e do Brasil entre 1994 e 1997. Na lateral direita, Arce, também daquele timaço, e, na esquerda, Everaldo, campeão do mundo com o Brasil na Copa do Mundo de 1970 e a estrela dourada da bandeira gremista. A dupla de zaga teria De León, o xerife campeão da América e do mundo em 1983, e Geromel, o “capitão América” de 2017. No meio, Dinho, outro do esquadrão dos anos 1990, teria funções mais defensivas para Mário Sérgio – talismã do título mundial de 1983 – e Ronaldinho – o garoto abusado que acabou com Dunga no Gre-Nal que decidiu o Gauchão de 1999. No ataque, a dupla Jardel e Paulo Nunes ganharia o reforço providencial de Renato, a lenda, para destroçar as zagas tanto por terra quanto pelos ares (Jardel foi um dos maiores cabeceadores da história!). O comandante desse esquadrão? Felipão, mestre do timaço dos anos 1990.

 

Time B – formação – 4-3-3:

Lara; Paulo Roberto, Aírton Pavilhão, Mauro Galvão e Roger; Emerson, Arthur e Paulo Cézar Caju; Tarciso, Alcindo e Luan.

O time B deste Grêmio dos Sonhos traz lendas de diferentes épocas e também de glórias recentes. No gol, Lara, o imortal que aparece até no hino do clube. Nas laterais, ganham espaço os multicampeões Paulo Roberto, pela direita, e Roger, pela esquerda. A dupla de zaga seria um verdadeiro paredão com Mauro Galvão (que ganhou a vaga mesmo com seu passado no Inter) e Aírton Pavilhão, um dos recordistas em títulos com a camisa tricolor lá nos anos 1960. No meio, Emerson e Arthur, campeões da América, teriam funções mais defensivas para PC Caju (outro talismã do título mundial de 1983) aparecer bastante na frente e municiar o trio ofensivo composto por Tarciso, o “flecha negra”, Alcindo (maior artilheiro da história do Grêmio) e Luan, o rei da América em 2017.

 

Os escolhidos pelos leitores e leitoras – OBS.: Os dados de jogos e gols são da Grêmiopédia.

 

Goleiro: Danrlei – 47,5% dos votos

Período no clube: 1993-2003

Principais títulos pelo clube: 1 Copa Libertadores da América (1995), 1 Recopa Sul-Americana (1996), 1 Campeonato Brasileiro (1996), 3 Copas do Brasil (1994, 1997 e 2001) e 5 Campeonatos Gaúchos (1993, 1995, 1996, 1999 e 2001).

Jogos: 588

 

Revelado pelo Grêmio, Danrlei é sem dúvida um dos maiores ídolos da história do clube. Extremamente identificado com o time e um verdadeiro torcedor em campo, o goleiro colecionou inúmeros títulos no tricolor gaúcho e protagonizou partidas brilhantes, mesmo com seu forte temperamento que muitas vezes rendiam cartões vermelhos e confusões – uma frase clássica sobre ele era: “pegava muito e pegava o adversário também!”. Ainda garoto, quase foi para o Inter, mas Paulo Lumumba, célebre auxiliar e caça-talentos do tricolor no final dos anos 1980, conseguiu convencer a diretoria e interveio na contratação do jovem, que morou durante sete anos no antigo estádio Olímpico. Danrlei começou a jogar no time profissional com apenas 20 anos e cravou rapidamente seu espaço entre os titulares. Foi um dos grandes símbolos do esquadrão que ganhou praticamente tudo nos anos 1990 e início dos anos 2000 e responsável por grandes milagres nas muitas partidas do time pela Libertadores e em competições nacionais, forjando a alma copeira do clube.

Mas o negócio de Danrlei era mesmo Gre-Nal, tanto é que ganhou o apelido de “Homem Gre-Nal” pela paixão que tinha em jogar bem quando o Grêmio enfrentava o Inter – foram 28 clássicos disputados. A última grande atuação da carreira de Danrlei pelo tricolor foi exatamente em um Gre-Nal disputado no dia 15 de junho de 2003, quando o arqueiro fez pelo menos 16 defesas que garantiram o 0 a 0. Chegou a disputar alguns jogos pela seleção brasileira e recebeu várias convocações – foram 49 -, mas a concorrência ferrenha com Taffarel e Dida na época minaram suas chances.

 

Goleiro: Lara – 25,7% dos votos

Período no clube: 1920-1935

Principais títulos pelo clube: 4 Campeonatos Gaúchos (1921, 1922, 1926 e 1931).

Jogos: 217

 

Lara, o craque imortal

Soube seu nome elevar

Hoje com o mesmo ideal

Nós saberemos te honrar

 

Se Lupicínio Rodrigues escreveu exatamente o verso acima no HINO do Grêmio, você acha que Eurico Lara não estaria neste tricolor dos sonhos? Se existe um ser imortal em toda a história gremista, ele é Lara. Foram 16 anos de devoção ao clube, quatro títulos estaduais conquistados, outros 11 títulos do antigo campeonato citadino de Porto Alegre e aproveitamento de 76% vestindo o manto tricolor – ele perdeu apenas 28 dos 217 jogos que disputou. Com notáveis 1,90m de altura, Lara soube como poucos utilizar sua envergadura para fechar o gol e realizar defesas impressionantes em tempos de bola pesada e campos nada perfeitos. Após começar a jogar no clube de sua cidade, Uruguaiana, Lara foi para o Grêmio em 1920 e permaneceu até 1935. Perfeccionista, costumava treinar sozinho no campo da Baixada, antigo estádio do Grêmio, chutando bolas contra o muro para defendê-las logo em seguida. Lara poderia ter defendido a seleção nas Copas de 1930 e 1934, mas foi prejudicado pela preferência da CBD na época por atletas de Rio e SP.

No final da carreira, ficou sabendo que sofria de problemas cardíacos, algo descoberto por acaso durante um jogo contra o Santos, quando o goleiro sofreu uma pancada que lhe causou uma concussão. Retirado do gramado, Lara fez exames que constataram as anomalias cardíacas que não lhe permitiam mais jogar futebol. Mesmo assim, tempo depois, Lara voltou a disputar um último jogo pelo Grêmio, exatamente contra o rival Internacional, e tal fato iniciou uma série de lendas a seu respeito. No jogo, Lara conseguiu permanecer em campo apenas os primeiros 45 minutos, pois, além dos já conhecidos problemas cardíacos, estava com tuberculose. O comovente esforço do arqueiro – que não levou gols e fez grandes defesas! – fez a torcida delirar na Baixada. Na segunda etapa, já repousando em uma cama nas dependências do estádio, Lara ouviu os gritos de gol quando Foguinho abriu o placar, e, tempo depois, Lacy fez o gol da vitória por 2 a 0 sobre o Inter no Gre-Nal Farroupilha (em alusão ao centenário da Revolução Farroupilha). Ao final do jogo, Lara voltou e foi comemorar com a torcida no pavilhão da Baixada. Dois meses depois, porém, o craque faleceu por causa da tuberculose e comoveu a todos no Rio Grande do Sul, de gremistas a rivais.

Com a morte de Lara, as lendas começaram a surgir. Uma foi que ele teria quebrado o braço em um jogo e defendido todos os chutes dessa maneira, sem sair de campo. Mas a principal delas é que ele teria morrido no tal Gre-Nal Farroupilha! Em algum momento, inventaram que durante o jogo o Inter teve um pênalti a seu favor e quem cobrou foi o irmão de Lara. Ele teria dito para o irmão sair do gol, pois iria chutar muito forte. Lara não saiu, encaixou a bola no peito e morreu ali, defendendo o chute do próprio irmão e em pleno Gre-Nal. Pura fábula, mas que só ajudou a exemplificar a importância e misticismo do goleiro para o Grêmio. E imortalizada de vez em 1953, no hino de Lupicínio Rodrigues.

 

 

Lateral-Direito: Arce – 80,6% dos votos

Período no clube: 1995-1997

Principais títulos pelo clube: 1 Copa Libertadores da América (1995), 1 Recopa Sul-Americana (1996), 1 Campeonato Brasileiro (1996), 1 Copa do Brasil (1997) e 2 Campeonatos Gaúchos (1995 e 1996).

Jogos: 145

Gols: 13

 

O lateral paraguaio chegou com muita desconfiança por parte da torcida, porém, logo se revelaria um dos maiores jogadores de seu tempo, exímio cobrador de faltas e preciso nos cruzamentos para a área que resultavam na maioria das vezes em gols de cabeça do artilheiro Jardel. Arce foi um dos preferidos de Felipão no período em que jogou no clube gaúcho, tanto é que o jogador foi para o Palmeiras, tempo depois, a pedido do próprio Felipão. Foi ídolo no Grêmio e um dos maiores laterais sul-americanos dos anos 1990 a ponto de ser eleito o melhor da posição sete vezes pelo jornal El País e vencer três Bolas de Pratas como o melhor da posição nos Brasileiros de 1998, 2000 e 2001.

 

Lateral-Direito: Paulo Roberto – 38,5% dos votos

Período no clube: 1981-1983

Principais títulos pelo clube: 1 Mundial Interclubes (1983), 1 Copa Libertadores da América (1983) e 1 Campeonato Brasileiro (1981).

Jogos: 131

Gols: 3

 

Lateral-direito seguro e muito bom no apoio, Paulo Roberto foi cria do Grêmio e jogou no time titular exatamente nos anos primorosos de 1981 até 1983. Conquistou os canecos do Brasileiro, da Libertadores e do Mundial e jogou em vários outros clubes ao longo da carreira, na maioria das vezes levantando troféus. Sua passagem pelo tricolor gaúcho ficou marcada pela sintonia com Renato Portaluppi pelo lado direito, pois Paulo Roberto apoiava bem o ataque e municiava constantemente o ponta tricolor, que aproveitava para marcar gols e entortar os rivais com seus dribles.

 

 

Lateral-Esquerdo: Everaldo – 64,7% dos votos

Período no clube: 1964-1974

Principais títulos pelo clube: 3 Campeonatos Gaúchos (1966, 1967 e 1968)

Jogos: 373

Gols: 2

 

Everaldo sempre estará presente em qualquer time dos sonhos do Grêmio. Ponto final. Sua representatividade é tanta, mas tanta, que basta você ver a imagem abaixo:

Viu a estrela dourada na bandeira? Ela é Everaldo, o único atleta do Grêmio a ser titular de uma seleção brasileira campeã mundial. Esse feito foi perpetuado pelo clube e desde então é o símbolo máximo da idolatria de um craque revelado pelo tricolor e que foi, durante mais de uma década, sinônimo de eficiência na lateral-esquerda com seus desarmes precisos, fôlego privilegiado, passes e visão de jogo notáveis. Everaldo não era de apoiar tanto como outros laterais, mas em defender e proteger a zaga ele era especialista. Por isso que a seleção de 1970 se deu ao luxo de jogar com tantos camisas 10, pois Everaldo garantia a tranquilidade lá atrás para Rivellino, Gérson, Tostão, Pelé e Jairzinho fazerem suas barbaridades com a bola nos pés.

Certa vez, por exemplo, no torneio nacional de 1970, o Fluminense enfrentou o Grêmio e todos esperavam pelo duelo entre Cafuringa e Everaldo. O ponteiro do Flu disse antes do jogo que iria “deitar e rolar” pra cima do lateral-esquerdo da seleção do tri e arriscar vários dribles. Mas ele foi simplesmente anulado pelo gremista, que ao final da temporada venceu a Bola de Prata da revista Placar. Após conquistar o tri no México, Everaldo foi recebido com uma festa gigantesca em Porto Alegre, como se o próprio Grêmio tivesse sido campeão mundial. Seis dias depois, o lateral ganhou a homenagem na bandeira tricolor, além da honraria de Atleta Laureado e duas cadeiras cativas no Estádio Olímpico. Em outubro de 1974, com apenas 30 anos, Everaldo acabou falecendo de maneira trágica após sofrer um acidente de automóvel, quando seu veículo se chocou contra um caminhão. Além dele, sua esposa, sua filha e sua irmã também faleceram.

 

Lateral-Esquerdo: Roger – 56% dos votos

 

Período no clube: 1994-2003

Principais títulos pelo clube: 1 Copa Libertadores da América (1995), 1 Recopa Sul-Americana (1996), 1 Campeonato Brasileiro (1996), 3 Copas do Brasil (1994, 1997 e 2001) e 4 Campeonatos Gaúchos (1995, 1996, 1999 e 2001).

Jogos: 505

Gols: 7

 

Mais um revelado pelo Grêmio e presente neste time dos sonhos, Roger foi soberano na lateral-esquerda do time nos dourados anos 1990 e é o 5º atleta que mais vestiu o manto tricolor com 505 jogos. Ele atuou de 1994 até 2003 no clube não só como lateral, mas também como zagueiro e volante. No esquadrão campeão da América em 1995, enquanto Arce tinha características mais ofensivas, Roger dava mais proteção à zaga e tinha foco mais na marcação e nos desarmes. Só que vez ou outra o jogador também ia ao ataque e dava cruzamentos precisos aos companheiros, como o que resultou no gol do título da Copa do Brasil de 1997, anotado por Carlos Miguel. Roger se consagrou como um dos mais regulares e vencedores atletas do Grêmio na história. Na virada do milênio, sob o comando de Tite, o defensor compôs o trio de zaga campeão de outra Copa do Brasil, em 2001, ao lado de Marinho e Mauro Galvão. Após pendurar as chuteiras, virou treinador.

 

 

Zagueiro: Hugo De León – 70,2% dos votos

Período no clube: 1981-1984

Principais títulos pelo clube: 1 Mundial Interclubes (1983), 1 Copa Libertadores da América (1983) e 1 Campeonato Brasileiro (1981).

Jogos: 242

Gols: 11

 

Um símbolo de raça e técnica, Hugo De León foi um dos maiores zagueiros do mundo no final dos anos 1970 e início dos anos 1980. Revelado pelo Nacional (URU), ganhou a Libertadores e o Mundial de 1980 com o clube uruguaio e chamou a atenção dos dirigentes gremistas, que o contrataram em 1981. Em seu primeiro ano, assumiu a liderança do time e conquistou o Brasileiro. Em 1983, veio a coroação com as conquistas da América e do Mundo, muito graças ao seu futebol sem firulas ou riscos, sempre com eficiência e raça pura. É um dos maiores ídolos da história do Grêmio e sua imagem erguendo a taça da Libertadores de 1983 com sangue no rosto – após a tensa final contra o Peñarol – é o símbolo máximo da raça gremista e sua mística copeira.

 

Zagueiro: Pedro Geromel – 66,3% dos votos

Período no clube: 2014-atual

Principais títulos pelo clube: 1 Copa Libertadores da América (2017), 1 Recopa Sul-Americana (2018), 1 Copa do Brasil (2016), 4 Campeonatos Gaúchos (2018, 2019, 2020 e 2021) e 2 Recopas Gaúchas (2019 e 2021).

Jogos: 320

Gols: 14

 

Após vários anos no futebol europeu, Geromel assumiu a titularidade na zaga do Grêmio em 2015 e cresceu demais de produção sob o comando do técnico Renato Portaluppi, demonstrando enorme segurança no miolo de zaga, eficiência no posicionamento, no desarme e até em investidas ao ataque, como no cruzamento que deu para o gol de Éverton Cebolinha na vitória por 3 a 1 sobre o Atlético-MG, na final da Copa do Brasil de 2016. Venceu quatro Bolas de Prata de melhor zagueiro do Brasileirão e foi eleito duas vezes o melhor zagueiro das Américas, em 2017 e 2018. Além disso, foi convocado para a Copa do Mundo de 2018 e um dos principais nomes do time campeão da Libertadores de 2017. Com tanta regularidade e identificação com o Grêmio, virou ídolo e já é um dos maiores zagueiros do clube na história.

 

Zagueiro: Mauro Galvão – 40,5% dos votos

Período no clube: 1996-1997 e 2001-2002

Principais títulos pelo clube: 1 Campeonato Brasileiro (1996), 2 Copas do Brasil (1997 e 2001), 1 Recopa Sul-Americana (1996) e 1 Campeonato Gaúcho (2001).

Jogos: 126

Gols: 5

 

Revelado pelo maior rival, Mauro Galvão foi gremista na infância e vestiu a camisa tricolor em dois períodos distintos: no primeiro, entre 1996 e 1997, ajudou o clube a manter a sina copeira com os títulos do Brasileirão de 1996, da Copa do Brasil de 1997 e da Recopa de 1996. Deixou o clube para colecionar títulos no fortíssimo Vasco da Gama da época, mas retornou ao Grêmio na virada do milênio para esbanjar sua categoria e comandar a zaga do time campeão de mais uma Copa do Brasil, em 2001, e também do Gauchão daquele ano, se aposentando em 2002, aos 40 anos de idade. Mauro Galvão foi um dos maiores defensores do Brasil e também um dos mais longevos, jogando profissionalmente nas décadas de 1970, 1980, 1990 e início de 2000! 

 

Zagueiro: Aírton Pavilhão – 29% dos votos

Período no clube: 1954-1960 e 1961-1967

Principais títulos pelo clube: 11 Campeonatos Gaúchos (1956, 1957, 1958, 1959, 1960, 1962, 1963, 1964, 1965, 1966 e 1967) e 1 Campeonato Sul-Brasileiro (1962).

Jogos: 592

Gols: 18

 

Poucos o superaram em categoria. Ele tinha tanta técnica que criou jogadas únicas, como quando levava a bola junto à bandeirinha de escanteio, atraía os atacantes rivais e, de repente, virava o corpo, colocava uma perna atrás da outra e, de letra, recuava a bola para as mãos do goleiro. Não precisava apelar para as faltas. E marcava como ninguém, a ponto de receber elogios de Pelé e ter aplicado um chapéu no Rei em um duelo contra o Santos. Aírton Ferreira é tido por muitos como o maior zagueiro da história do Grêmio e de todo futebol brasileiro. Jogava de cabeça erguida, dominava a área, era extremamente leal e adepto do jogo limpo. Com quase 1,90m de altura, superava os rivais no jogo aéreo e também nas jogadas mano a mano graças à sua força.

Aírton ganhou o apelido de Pavilhão por conta da curiosa transação pela qual ele esteve envolvido, em 1954. Jogador do Força e Luz na época, ele foi contratado pelo Grêmio por 50 mil cruzeiros mais o antigo pavilhão social do Estádio da Baixada, a casa tricolor antes da construção do Olímpico Monumental. Aírton levantou 11 títulos estaduais dos 12 que disputou, um recorde na história gremista. Teve convocações, também, para a seleção brasileira, mas acabou de fora da Copa do Mundo de 1962, uma injustiça, pois ele poderia muito bem compor uma dupla de zaga fantástica ao lado de Mauro Ramos ou mesmo se revezar no setor com Zózimo. Uma das muitas histórias que envolvem o craque é que, certa vez, em um Gre-Nal, Aírton teria rebatido 40 bolas da zaga gremista ao longo da partida! O craque é até hoje o 2º atleta que mais vestiu o manto tricolor na história: 592 jogos.

 

 

Volante: Dinho – 52,2% dos votos

Período no clube: 1995-1997

Principais títulos pelo clube: 1 Copa Libertadores da América (1995), 1 Recopa Sul-Americana (1996), 1 Campeonato Brasileiro (1996), 1 Copa do Brasil (1997) e 2 Campeonatos Gaúchos (1995 e 1996).

Jogos: 149

Gols: 25

 

Em quase todas as eleições de times dos sonhos do Grêmio, o volante Dinho é sempre um dos primeiros lembrados para a posição de volante. E motivos nunca faltaram. Após uma gloriosa passagem pelo lendário São Paulo de Telê Santana, ele chegou ao Grêmio em 1995 e mostrou experiência, garra e técnica cruciais para as principais conquistas do clube no período. Foi herói na Libertadores de 1995 ao marcar o gol do título, o de empate contra o Atlético Nacional-COL, e dominou o meio de campo com seu futebol vigoroso e cara de poucos amigos. Nenhum atacante ou meia tinha coragem de fazer firulas ou aplicar dribles naquele xerife que encarnou como poucos a garra gremista. Tanta garra às vezes rendiam faltas duras e cartões, mas a torcida tricolor jamais se queixou. A vitória valia mais.

 

Volante: Emerson – 27,9% dos votos

Período no clube: 1994-1997

Principais títulos pelo clube: 1 Copa Libertadores da América (1995), 1 Recopa Sul-Americana (1996), 1 Campeonato Brasileiro (1996), 2 Copas do Brasil (1994 e 1997) e 2 Campeonatos Gaúchos (1995 e 1996).

Jogos: 160

Gols: 25

 

Volante, Emerson atuava até como meia no Grêmio multicampeão dos anos 1990 tamanha sua qualidade técnica. Revelado pelo tricolor, brilhou demais no time campeão de quase tudo de 1994 até 1997 até fazer história na Europa e vestir por mais de 70 vezes a camisa da seleção brasileira. Foi um dos grandes craques do meio de campo gremista na década de 1990, e, mesmo com algumas lesões em seu começo de carreira, teve tempo para fazer história com títulos, grandes atuações e um meio de campo de sonhos ao lado de Dinho, Luís Carlos Goiano e Carlos Miguel.

 

Volante: Arthur – 26,7% dos votos

Período no clube: 2015-2018

Principais títulos pelo clube: 1 Copa Libertadores da América (2017), 1 Recopa Sul-Americana (2018), 1 Copa do Brasil (2016) e 1 Campeonato Gaúcho (2018).

Jogos: 70

Gols: 6

 

Foi uma das maiores revelações do Grêmio nos últimos tempos. Com ampla visão de jogo, passes precisos, muita movimentação e ótimo nos desarmes, foi o grande nome do meio de campo do time campeão da América em 2017. Não por acaso, acabou contratado pelo Barcelona-ESP já em 2018 e foi direto para o time titular dos blaugranas. Jogou muito pouco pelo tricolor – 70 jogos e seis gols -, mas o suficiente para entrar no rol dos ídolos do clube gaúcho.

 

 

Meia: Ronaldinho – 53% dos votos

Período no clube: 1998-2001

Principais títulos pelo clube: 1 Campeonato Gaúcho (1999) e 1 Copa Sul (1999).

Jogos: 139

Gols: 68

 

Com apenas 7 anos, ele já fazia absurdos na escolinha do Grêmio. Seu irmão, Assis, sempre dizia que o craque da família era o Ronaldo. E, anos depois, isso ficou comprovado. O Bruxo começou sua mágica carreira no Grêmio, permaneceu pouco tempo, saiu de maneira polêmica, causou ainda mais rebuliço quando não retornou ao clube anos depois, mas outra vez foi eleito para um time dos sonhos do Grêmio. Por mais que ele tenha desgastado sua imagem no clube ao longo do tempo, nenhum torcedor consegue esquecer o que ele fez entre 1998 e 2001, principalmente em 1999, quando deu um título Gaúcho ao Grêmio com um show humilhante pra cima do veterano Dunga, do Inter, na decisão. Ronaldinho deu chapéu, caneta e realizou uma série de jogadas que entraram para o rol dos Gre-Nais. Anos depois, Ronaldinho ainda comentou sobre aquele jogo: “Eu queria ter dado muito mais. Ele que escapou. Treinei aqueles dribles, já estavam reservados para ele. Aquilo tinha endereço (risos)”.

Chapéu…

 

… E drible humilhante: Ronaldinho deu show pra cima de Dunga.

 

Em 1999, Ronaldinho foi o artilheiro do Campeonato Gaúcho com 15 gols, fez barbaridades no título da Copa América do Brasil e encantou a todos com seu futebol de dribles, gols e grandes jogadas. O resto dessa história todo mundo já sabe: ele virou o melhor do mundo no Barcelona, colecionou títulos com a camisa blaugrana e virou ídolo, também, no Atlético-MG. E vamos combinar: quem não iria querer um Ronaldinho em um time dos sonhos? Imagine ele, Renato, Jardel e Paulo Nunes lá na frente? Bruxaria pura! Rsrsrs! Leia mais sobre ele clicando aqui!

 

Meia: Mário Sérgio – 36,4% dos votos

Período no clube: 1983

Principais títulos pelo clube: 1 Mundial Interclubes (1983).

Jogos: 11

Gols: 2

 

Meses antes da final do Mundial Interclubes de 1983, o técnico gremista Valdir Espinosa levou um susto quando viu os alemães do Hamburgo jogarem. Levando em conta que o tricolor não tinha mais Tita, que quis voltar ao Flamengo, o time brasileiro seria presa fácil para os europeus. Por isso, Espinosa exigiu a contratação de pelo menos dois craques apenas para disputar o Mundial. A diretoria atendeu e trouxe Paulo Cézar Caju, notório meia dos anos 1970, e Mário Sérgio, endiabrado ponta-esquerda. Ambos eram veteranos, mas Espinosa não se importava. Os craques seriam fundamentais para o Grêmio conseguir o título, com a base vencedora da América e com Renato Portaluppi cada vez mais eficiente. Quando a bola rolou no Japão, Paulo Cézar, mais conhecido, atraiu a marcação dos alemães, enquanto Mário Sérgio teve toda a liberdade para dar uma verdadeira aula de futebol com seus passes primorosos e dribles desconcertantes que ajudaram o Grêmio a derrotar o Hamburgo por 2 a 1 e ficar com o sonhado título. O “vesgo” deu passe de trivela, driblou até o juiz e fez de tudo naquela partida, uma das melhores de sua carreira e uma das maiores atuações individuais de um jogador na história dos Mundiais.

Mário Sérgio no Gre-Nal das faixas.

 

O craque, com passagens por vários clubes, ainda jogou mais algumas partidas do Gauchão pelo Grêmio até ser contratado pelo Inter, em 1984. Curiosamente, no famoso Gre-Nal das faixas, quando o Grêmio recebeu as faixas de campeão mundial e o Inter de campeão gaúcho, Mário Sérgio foi ovacionado pelas duas torcidas, posando com a camisa do Inter e segurando a faixa de campeão mundial pelo Grêmio. Algo único e ímpar na história do clássico. E a eterna gratidão do torcedor pela contribuição do meia ao tricolor.

 

Meia: Tarciso – 27,3% dos votos

Período no clube: 1973-1986

Principais títulos pelo clube: 1 Mundial Interclubes (1983), 1 Copa Libertadores da América (1983), 1 Campeonato Brasileiro (1981) e 5 Campeonatos Gaúchos (1977, 1979, 1980, 1985 e 1986).

Jogos: 721

Gols: 222

 

Outro imortal e ídolo tricolor, Tarciso foi um dos grandes nomes do ataque gremista nos anos 1970 e 1980, ganhando o apelido de “flecha negra” por sua velocidade extrema. Ganhou oito títulos no clube, com destaque para o Brasileiro de 1981, a Libertadores de 1983 e o Mundial do mesmo ano. Foi uma das armas mais letais do clube nas partidas decisivas, levando os marcadores à loucura. É o jogador que mais vezes vestiu a camisa tricolor na história (721 jogos) e o 2º maior artilheiro da história do Grêmio com 222 gols. Podia jogar tanto na ponta-direita como na ponta-esquerda e era um jogador extremamente eficiente no ataque, capaz de tabelas precisas com os companheiros, chutes potentes e muito oportunismo. Ganhou duas Bolas de Prata vestindo a camisa tricolor.

 

Meia: Paulo Cézar Caju – 22,9% dos votos

Período no clube: 1979-1980 e 1983

Principais títulos pelo clube: 2 Campeonatos Gaúchos (1979 e 1980) e 1 Mundial Interclubes (1983).

Jogos: 62

Gols: 14

 

Se Mário Sérgio teve espaço e conseguiu esbanjar categoria na final do Mundial de 1983, PC Caju teve a missão de atrair a marcação para si e manter os alemães em sua cola naquele jogo histórico. Famoso pelos seus anos no futebol carioca e na seleção brasileira (ele esteve no elenco campeão do mundo em 1970) e multicampeão da Bola de Prata com quatro conquistas, o craque foi essencial naquela conquista e provou sua identificação com o Grêmio, construída lá no final dos anos 1970, quando jogou por dois anos no tricolor e levantou dois títulos gaúchos. Habilidoso, com um vasto repertório de dribles incisivos e enorme visão de jogo, PC Caju foi sem dúvida um dos maiores meias que já passaram pelo Grêmio em todos os tempos.

 

 

Atacante: Renato Portaluppi – 81% dos votos

Período no clube: 1980-1986 e 1991.

Principais títulos pelo clube: 1 Mundial Interclubes (1983), 1 Copa Libertadores da América (1983) e 2 Campeonatos Gaúchos (1985 e 1986).

Jogos: 261

Gols: 74

 

Endiabrado, rápido, driblador, arisco, marrento, encrenqueiro, polêmico… Renato Portaluppi era tudo isso e muito mais em seu início de carreira, como ponta-direita. Alçado ao time principal em 1981, com 19 anos, acabou não tendo chances sob o comando de Ênio Andrade e continuou esquentando o banco em 1982, bem a contragosto, até conseguir cravar seu espaço principalmente sob o comando do técnico Valdir Espinosa. Em 1983, o craque mostrou que era mesmo diferente com um futebol precioso e fantástico. Renato foi malandro e decisivo na Libertadores e um mito em Tóquio quando marcou dois golaços e deu ao tricolor o maior título de sua história.

A estátua de Renato, enfim, ganhou espaço na Arena. Foto: Mateus Bruxel/Agencia RBS.

 

Virou um ídolo instantâneo no Olímpico e estrela nacional, marcando época também no Flamengo e no Fluminense. Seu temperamento e atitudes, porém, abreviaram sua vida na seleção brasileira, custando-lhe uma participação na Copa do Mundo de 1986. O craque aumentou ainda mais sua idolatria junto à torcida quando virou treinador e, comandando o Grêmio, levou o clube aos títulos da Libertadores de 2017, da Copa do Brasil de 2016, da Recopa de 2018, de três Gaúchos e de uma Recopa Gaúcha. Em março de 2019, após cobrar a diretoria abertamente e publicamente bem ao seu estilo, Renato ganhou uma estátua na Arena gremista simbolizando a comemoração de um de seus gols na final do Mundial de 1983. A prova máxima de maior ídolo da história do clube.

 

Atacante: Jardel – 63,2% dos votos

Período no clube: 1995-1996

Principais títulos pelo clube: 1 Copa Libertadores da América (1995), 1 Recopa Sul-Americana (1996) e 2 Campeonatos Gaúchos (1995 e 1996).

Jogos: 84

Gols: 64

 

Mário Jardel queria ser jogador de vôlei, mas, para a alegria de qualquer gremista, ele partiu para o futebol. Tal vocação explica a impulsão absurda do craque, que marcava a maioria de seus gols de cabeça. Com 1,88m de altura, Jardel foi um verdadeiro terror para as defesas do Brasil em 1995 e 1996 pela quantidade de gols que fazia, pela ótima colocação e por aproveitar de maneira plena os cruzamentos de Arce, Roger e companhia, além de demonstrar enorme entrosamento com Paulo Nunes. Teve uma das maiores médias de gols da história do Grêmio ao marcar 64 gols em 84 jogos pelo tricolor. Foi artilheiro da Libertadores de 1995 com 12 gols – ele é um dos maiores artilheiros em uma só edição de Libertadores e seus 12 gols não foram igualados ou superados desde então!

Jardel e Paulo Nunes: dupla inesquecível do tricolor.

 

 

O atacante brilhou tanto que rapidamente chamou a atenção do futebol europeu, quando foi jogar no Porto e virou ídolo dos dragões ao ser cinco vezes artilheiro do Campeonato Português e vencer por duas vezes o prêmio de Chuteira de Ouro da UEFA. Brilhou também no fortíssimo Galatasaray-TUR da virada do milênio. É um dos maiores ídolos do Grêmio pelo carisma, pelos gols e pela identificação com o clube.

 

Atacante: Paulo Nunes – 56,9% dos votos

Período no clube: 1995-1997 e 2000

Principais títulos pelo clube: 1 Copa Libertadores da América (1995), 1 Recopa Sul-Americana (1996), 1 Campeonato Brasileiro (1996), 1 Copa do Brasil (1997) e 2 Campeonatos Gaúchos (1995 e 1996).

Jogos: 197

Gols: 73

 

O “diabo loiro” foi ídolo no Grêmio e decisivo nas grandes conquistas dos dourados anos 1990, em especial do Campeonato Brasileiro de 1996, quando foi o artilheiro do torneio com 16 gols e marcou o primeiro gol da vitória por 2 a 0 sobre a Portuguesa, na decisão. Em 1997, foi artilheiro da Copa do Brasil com 9 gols. Rápido, driblador e oportunista, Paulo Nunes foi o xodó da torcida pelo seu jeito irreverente e descontraído. Fez, com Jardel, uma das mais prolíficas e perigosas duplas de ataque da história do futebol brasileiro nos anos 1990, e, para muitos, a melhor e mais entrosada da história do Grêmio. Após tantas glórias, teve uma breve passagem pelo futebol português, mas retornou ao Brasil para ser ídolo no Palmeiras e voltar a levantar uma Libertadores, em 1999.

 

Atacante: Luan – 39,1% dos votos

Período no clube: 2014-2019

Principais títulos pelo clube: 1 Copa Libertadores da América (2017), 1 Recopa Sul-Americana (2018), 1 Copa do Brasil (2016), 2 Campeonatos Gaúchos (2018 e 2019) e 1 Recopa Gaúcha (2019).

Jogos: 288

Gols: 77

 

Jogou de 2014 até 2019 no tricolor e se transformou em um dos principais jogadores do futebol brasileiro no período. Podia atuar em qualquer lado do campo de ataque, aberto pela esquerda, pela direita, mais centralizado ou mesmo como falso 9. Viveu sua melhor fase entre 2016 e 2017, com gols decisivos, pinturas e dribles desconcertantes que ajudaram o Grêmio a levantar os títulos da Copa do Brasil e da Libertadores. Ganhou o prêmio de melhor jogador da América em 2017, melhor jogador da Libertadores no mesmo ano e ainda duas Bolas de Prata (2015 e 2017). Acumulou 288 jogos, 77 gols (é o 13º maior artilheiro da história do Grêmio) e 56 assistências em sua passagem pelo tricolor. Tudo isso explica muito bem sua eleição neste Grêmio dos Sonhos!

 

Atacante: Alcindo – 30,8% dos votos

Período no clube: 1964-1971 e 1977

Principais títulos pelo clube: 6 Campeonatos Gaúchos (1964, 1965, 1966, 1967, 1968 e 1977).

Jogos: 378

Gols: 230

OBS.: segundo a Gremiopédia, muitas fontes creditam a Alcindo um total de 264 gols marcados pelo Grêmio. Porém, só foram localizados 230. Acredita-se que o erro ocorreu porque foram somados 27 gols de Alcino Neves dos Santos entre 1976 e 1977, além do equívoco na pesquisa dos dados em publicações da época.

 

Foram 12 gols em Gre-Nais. Mais de 200 com a camisa do Grêmio. Presença em cinco dos sete campeonatos estaduais conquistados pelo tricolor entre 1962 e 1968. Alcindo, o “Bugre Xucro”, é o maior artilheiro da história do Grêmio e nome certo em qualquer Time dos Sonhos do Imortal. Presente na Copa do Mundo de 1966, o atacante marcou seu nome no Grêmio com gols, oportunismo e um estilo de jogo marcante. Alcindo rompia defesas sozinho, tinha uma força absurda e jogou no Santos a pedido de Pelé, que ficou abismado com seu futebol. Após deixar o Grêmio no começo dos anos 1970, voltou em 1977 já veterano para ajudar o clube a quebrar a hegemonia de oito anos do Inter no Gauchão. Alcindo é o 2º maior artilheiro do tricolor em Gre-Nais com 12 gols, ficando atrás apenas de Luiz Carvalho, com 15 gols.

 

 

Técnico: Luiz Felipe Scolari – 31,3% dos votos

Período no clube: 1987, 1993-1996, 2014-2015 e 2021-atual

Principais títulos pelo clube: 1 Copa Libertadores da América (1995), 1 Recopa Sul-Americana (1996), 1 Campeonato Brasileiro (1996), 1 Copa do Brasil (1994) e 3 Campeonatos Gaúchos (1987, 1995 e 1996).

Jogos: 384, sendo 184 vitórias, 107 empates e 93 derrotas, aproveitamento de 57,2%.

 

O Brasil conheceu Felipão em 1991, quando ele venceu a Copa do Brasil pelo Criciúma, mas a torcida do Grêmio já sabia do potencial do treinador desde 1987, quando ele conquistou o Campeonato Gaúcho daquele ano e saiu invicto de quatro Gre-Nais. E, a partir de 1994, quando ele retornou ao tricolor, a mística entre o copeiro técnico com o clube foi completa. Felipão transformou o Grêmio no time mais competitivo do Brasil e das Américas e moldou um elenco à sua maneira. Com o grupo na mão, conquistou títulos memoráveis, extraiu ao máximo dos jogadores e catapultou a carreira não só dele, mas de vários craques, criando uma identidade rara e simbiose perfeita entre clube e treinador.

Anos depois, seguiu vitorioso pelo Palmeiras e chegou ao ápice com o título da Copa do Mundo de 2002 pelo Brasil. Chegou a dirigir a seleção portuguesa com uma geração talentosíssima, chegando ao vice da Eurocopa de 2004 e ao 4º lugar na Copa do Mundo de 2006. Depois do período em terras lusitanas, perdeu o brilho e a intensidade comum dos anos 1990 e 2000. Retornou ao Grêmio em 2014 logo após o 7 a 1 e com a carreira abalada, mas retomou a alegria após vencer o rival Inter por 4 a 1, na maior goleada dos Gre-Nais desde 1990. Ficou no tricolor até 2015 e retornou em 2021 na tentativa de tirar o Grêmio da zona de rebaixamento do Brasileirão. Embora Renato Portaluppi tenha conquistado grandes títulos e marcado seu nome também como treinador, o torcedor ainda tem em Felipão como o maior técnico da história do clube, prova de sua eleição neste Time dos Sonhos.

 

 

Grêmio dos Sonhos do Imortais!

 

Goleiros: Danrlei e Lara

Laterais-Direitos: Arce e Paulo Roberto

Laterais-Esquerdos: Everaldo e Roger

Zagueiros: Hugo De León, Aírton Pavilhão, Pedro Geromel e Ancheta

Volantes: Dinho, Emerson e Yura

Meias: Ronaldinho, Gessy, Tarciso e Mário Sérgio

Atacantes: Renato Portaluppi, Jardel, Paulo Nunes, Luan e Alcindo

Técnico: Luiz Felipe Scolari

 

Time A – formação – 4-3-3:

Danrlei; Arce, Aírton Pavilhão, Hugo De León e Everaldo; Dinho, Gessy e Ronaldinho; Renato Portaluppi, Alcindo e Tarciso.

 

 

A base do time dos sonhos que escolhemos é a mesma dos leitores e leitoras, mas com pontuais modificações. Neste Time A, ganha lugar ao lado de Hugo De León o defensor Aírton Pavilhão, para formar um paredão de terror para os rivais. No gol e nas laterais, as escolhas são as mesmas, enquanto no meio de campo a dupla Dinho e Ronaldinho ganharia a companhia de Gessy, um dos mais criativos jogadores da história gremista e também um dos maiores artilheiros do clube. O trio de ataque seria composto por Renato, Alcindo e Tarciso.

 

Time B – formação – 4-3-3:

Lara; Paulo Roberto, Pedro Geromel, Ancheta e Roger; Emerson, Yura e Mário Sérgio; Paulo Nunes, Jardel e Luan.

 

No time B, as mudanças foram na zaga e no meio de campo. Pedro Geromel ganharia a companhia de Ancheta, craque uruguaio que brilhou no tricolor na década de 1970 e faturou, inclusive, uma Bola de Ouro da revista Placar em 1973. No meio, o ídolo Yura, exemplo de garra e com um fôlego privilegiado. No ataque, um trio totalmente campeão da América: Luan, Jardel e Paulo Nunes.

 

Os escolhidos pelo Imortais ausentes nos times dos leitores e leitoras:

 

Zagueiro: Atilio Ancheta

Período no clube: 1971-1980

Principais títulos pelo clube: 2 Campeonatos Gaúchos (1977 e 1979).

Jogos: 428

Gols: 26

 

Ancheta foi um dos maiores defensores da história do futebol uruguaio. Com muito estilo, força e disposição, jogou muito no Nacional de 1965 até 1971, participando da conquista da Libertadores – ele foi um dos oito jogadores do Nacional a integrar o elenco da seleção uruguaia 4ª colocada na Copa do Mundo de 1970. Deixou o time após a conquista da América para defender outro tricolor: o Grêmio, onde ficou até 1980 e venceu a Bola de Ouro como melhor jogador do Brasil em 1973, atuando como zagueiro e também como lateral. Muito seguro e com personalidade, virou ídolo e é o 8º jogador que mais vestiu a camisa do Grêmio na história.

 

Volante: Yura

Período no clube: 1971-1980

Principais títulos pelo clube: 2 Campeonatos Gaúchos (1977 e 1979).

Jogos: 359

Gols: 61

 

Franzino e com as pernas finas, ele podia despertar a dúvida quanto ao seu rendimento dentro de campo. Só que Júlio Titow, o Yura, era um verdadeiro gigante nos gramados. Incansável, cheio de raça, veloz e capaz de brigar pela bola do primeiro segundo ao último, Yura foi um ídolo gremista e ajudou o time a encerrar a hegemonia do Inter no estado com o título gaúcho de 1977, repetindo a dose em 1979. Em agosto de 1977, entrou para a história como o autor do gol mais rápido da história dos Gre-Nais: 14 segundos, após receber um passe de André Catimba, outra figura marcante do título gaúcho daquele ano – o tricolor venceu por 2 a 1. Yura encerrou a carreira precocemente, com 27 anos, após sofrer uma grave lesão na tíbia.

 

Meia: Gessy

Período no clube: 1955-1962

Principais títulos pelo clube: 5 Campeonatos Gaúchos (1956, 1957, 1958, 1959 e 1960).

Jogos: 302

Gols: 208

 

Meia cerebral, daqueles que deixavam os companheiros na cara do gol, e incisivo no ataque para ele mesmo marcar os seus. Gessy Lima foi sem dúvida o principal nome do Grêmio multicampeão gaúcho nos anos 1950 e um dos principais atletas do país no período. Perito em passar a bola entre as pernas dos marcadores, Gessy levava o público à loucura com suas jogadas, dribles e gols. Ele é o 3º maior artilheiro do Grêmio na história com 208 gols em 302 jogos. Além dos títulos e do futebol primoroso, Gessy ficou marcado pela apresentação monstruosa em um jogo contra o Boca Juniors, em La Bombonera, no dia 25 de fevereiro de 1959. 

Em duelo amistoso, o Grêmio venceu os xeneizes por 4 a 1 e Gessy marcou TODOS os gols! O craque foi aplaudido de pé pela torcida argentina. Aquela foi ainda a primeira vitória de um clube estrangeiro sobre o Boca em La Bombonera. E um detalhe: Gessy chegou em Buenos Aires apenas algumas horas antes da partida, pois havia prestado o vestibular para Odontologia e não pôde participar da concentração com o elenco. O craque passou no exame e celebrou da melhor maneira possível: com os quatro gols em La Bombonera. 

Gessy acabou deixando o futebol em meados de 1963 para exercer a profissão de dentista. Pela seleção, atuou em apenas quatro jogos e sofreu com a concorrência da época, com vários meias e atacantes que jogavam no eixo Rio-SP e tinham vantagem sobre ele, que atuava no Sul.

 

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